A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 01/11/2021

Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade em “O Auto da Barca do Inferno”. É possível visualizar a perspectiva vicentina na banalização das cirurgias plásticas, visto que tem sido uma grande causa de internações e até morte de muitas pessoas. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema, que se enraíza na má influência midiática e na falta de conhecimento da sociedade contemporânea.

Nesse cenário, em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de responsabilidade da mídia presente na questão. Segundo Orwell, “A mídia controla as massas”. Tal controle é nítido quanto à banalização de cirurgias plásticas, visto que a mídia mostra corpos irreais e editados nas telas, influenciando a massa a querer alcançar uma estética impossível. Assim, urge que a mídia se responsabilize pelo comportamento que se provoca na sociedade.

Além disso, é fundamental salientar que a alienação social é propulsora do tema. Para Hipática de Alexandria, “Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”. Porém, há um hiato na compreensão sobre as cirurgias plásticas por grande parte da população, visto que muitos optam por fazer cirurgias de forma precária e até mesmo com médicos pouco especializados podendo custar até a vida. Dessa forma, para superar o problema, como explicou a pensadora, é preciso conhecimento.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, a mídia deve criar mais programas de TV com atrizes e atores com corpo reais, por meio de uma vasta seleção de artistas, a fim de diminuir essa busca impossível por um corpo perfeito. Tal ação pode, ainda, ajudar a população a aceitar sua própria aparência sem precisar de cirurgias incluindo episódios voltados para a autoaceitação. Paralelamento, é preciso intervir sobre a falta de informação presente na questão inserindo palestras conscientizadoras para a população.