A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 01/11/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se exatamente o contrário, quanto à banalização das cirurgias plásticas, já que a busca por uma aparência idealizada, supera os limites de convivência harmônica e respeitosa entre os indivíduos no país. Nesse contexto, percebe-se um problema de contornos específicos, em virtude da má influência midiática e no individualismo. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Em primeiro lugar, a influência negativa da mídia contribui para a persistência do problema em questão. De acordo com o filósofo Pierre Bordieu “o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser usado como mecanismo de opressão”, cabe perfeitamente. Dessa forma, as redes sociais juntamente com os meios de comunicação de massa, por exemplo a televisão, determinam o comportamento da sociedade, elegendo um padrão de beleza a ser seguido, levando a homens e mulheres submeterem-se à procedimentos estéticos sem distinção. Tais feitos, em quantidade exagerada, promovem distorções físicas e de personalidade, já que, para ser aceito em seu meio social, o indivíduo tende a se portar da mesma maneira que os modelos impostos pela mídia.

Em segundo lugar, a banalização das cirurgias plásticas encontra terra fértil no individualismo. Na obra de Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida”, ele defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a busca pelo ideal inalcançável por adultos e até mesmo adolescentes, que veêm nessa condição uma necessidade iminente de modificar o corpo, a fim de tornarem-se semelhantes aos influenciadores digitais e artistas de televisão, levando à falta de empatia de seus pares, mediante à uma cobrança imagética do físico perfeito, como se fossem fantoches da mídia, submetendo-se à uma pressão estética contínua.

Logo, medidas devem ser tomadas para se alterar o cenário da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Para isso, o Ministério da Saúde deveria investir em campanhas de conscientização nas escolas, para alunos do ensino médio e seus pais, por meio de entrevistas com profissionais da Psicologia. Tais palestras dever ser webconferenciadas nas redes sociais do Ministério, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma otimista para essa distorção da realidade, de modo que o respeito mútuo prevaleça na sociedade, assim como está descrito no documento promulgado pela ONU nos anos 40.