A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 03/11/2021

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago expõe o fenômeno da cegueira moral, na qual a sociedade se aliena frentre às diversas realidades sociais, a qual é fomentada pela restrição do pleno acesso à informação. Esse cenário nefasto é facilmente observado no problema da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, sobretudo, no Brasil, e decorre não só em razão da não aplicação dos direitos civis, mas também devido à insuficiente formação educacional. Assim, faz-se imperiosa a análise da conjuntura de modo a mitigar a problemática.

Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a banalização de cirurgias plásticas no Brasil. Isso porque, conforme afirma o jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadão de papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas à aplicação do artigo 6º da “Constituição cidadã”, que garante entre tantos direitos, a saúde. Esse direito é deturpado, considerando-se que a saúde pública é negligenciada no âmbito físico e mental, com a pouca divugação de campanhas de concientização que combata a vulgarização das cirurgias estéticas, além do pouco espaço em hospitais destinado ao tratamento psicológico decorrente da pressão estética. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de combater a banalização destas cirurgias no panôrama contemporâneo.

Outrossim, é igualmente preciso destacar a educação, nos moldes predominantes do Brasil, como outro fator que contribue na manuntenção do imbróglio. Neste aspecto, é justo relembrar a obra “Pedagogia da autonomia”, no patrono da educação brasileira Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o ensino técnico-científico, mas também habilidades socio-emocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, uma vez que a maioria das intituições de ensino brasileiras são conteudistas, não auxiliam na percepção empatica sobre os diversos tipos existentes de beleza e, portanto, não contribuem no combate às pressões estéticas e não forma indivíduos da maneira a que Freire idealizou.

Destarte, faz-se urgente, pois, a intervensão do Estado, a fim de extinguir o impasse. Assim, cabe ao Ministério da Educação -ramo do Estado responsável pela formação civil- inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a matéria de “Cidadania”, para que possa se debater, com respeito e empatia, acerca das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, de modo a combater pressões estéticas e valorizar a beleza de cada pessoa. Além disso, pode-se fazer uso das grandes midias para concientizar sobre o assunto. Deste modo, espera-se uma sociedade permeada pelos valores da Magna Carta.