A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 03/11/2021
O Narciso que não o é
Thomas Stearns Eliot, poeta e dramaturgo da língua inlesa, escreve em um de seus livros sobre a sibila que queria morrer. Sendo uma das sacerdotisa de Apolo, Sibila de Cuma pede a ele uma vida longa, este apaixonado lhe concede, porém, ela não se lembrou de pedir a juventude eterna. Ao passar dos anos sibila foi ficando cada vez mais pequena e ressequida, centenas de anos depois só dizia aos outros que queria morrer. Grande parte da sociedade perde-se no mesmo dilema do livro.
Sob esse prisma, o instinto de qualquer animal é a sobrevivência. Envelhecer lembra qualquer ser humano o ciclo natural da vida que tem como fim a morte. Muitos homens e mulheres buscam na cirurgia plástica alternativa de burlar a velhice e a morte, entretanto, afastar-se da velhice não inibi a efemeridade da vida. O aumento exacerbado dos procedimentos estéticos colocam os humanos como animais agropecuários que o zoólogo cuida quase sempre a fins mercadológicos, um animal bem cuidado é mais lucrativo, bonito, mas ao fim todos vão para o matadouro e a sobrevivência chega ao fim.
Ademais, extenso setor da sociedade julgam seus padrões de beleza como incertos, buscando assemelhar-se ao socialmente aceitável. Existe uma constante propagação dos padrões estéticos que moldam parte dos indivíduos de forma uniforme. O propagador vende a uniformidade de forma simples e com a promessa de um paraíso na terra com um corpo transformado que muda o viver humano. Como consequência, as clínicas estéticas oferecem descontos e pacotes promocionais para entregar o resultado desejado. Tal conduta pode ser observada no filme “Os Robôs” da Fox Animation, os robôs iam trocando suas latarias velhas por novas latarias que ficavam facilmente expostas em cada esquina para alcançarem os padrões estabelecidos, personagens como o grande soldador mesmo famoso eram esquecidos da sociedade por não se enquadrarem aos padrões, representando uma sociedade real e imaginaria alienada uniformemente.
Visto isso, é perceptível que o aumento das cirurgias se tornam banais ao sentido de proporcionarem um resultado padrão de uma sociedade moldavél. Cirurgias feitas em sí e não para sí, mudanças físicas para um padrão social, milhões de Narcisos que se olharem seus reflexos não reconheceram a si mesmos.