A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 04/11/2021
O renomado programa televisivo “Botched” ilustra o resultado caótico de pessoas que sofreram graves consequências a partir da realização exacerbada de cirurgias plásticas, em busca do ideal de aparência perfeita. Fora das redes midiáticas, essa é uma realidade que afeta muitos indivíduos, os quais, desejando seguir estereótipos ilusórios de corpos perfeitos, acabam passando por procedimentos estéticos extremos, sem medir os danos. Assim, vale analisar o quadro de banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea.
Em primeiro lugar, é crucial verificar os motivos para essa preocupação desmedida com a aparência. Sobre isso, a obcessão à beleza e à perfeição é uma característica da modernidade, a qual, por meio das redes sociais, dita padrões irreais de corpos e estilos de vida e acaba gerando graves consequências para o grupo que não se vê inserido nesse estereótipo, como a busca incessante por procedimentos estéticos e a despreocupação com os riscos à saúde trazidos por meio desses processos. Logo, percebe-se a aplicação da letra da música da cantora Beyoncé, a qual pontua, em sua composição “Pretty Hurts”, que a busca incessante pela beleza machuca.
Além disso, os prejuízos trazidos por esse culto à aparência na contemporaneidade são inúmeros. Entre eles, a banalização dos procedimentos estéticos, a qual, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), só em 2019 foram realizadas 1,4 milhão de cirurgias plásticas, sendo que 60% eram para fins estéticos. Outrossim, além dos graves riscos ao bem-estar do indivíduo ocasionados por esses processos, transtornos alimentares como anorexia e bulimia também trazem sérios danos à saúde dessas pessoas, que preferem buscar a perfeição em detrimento da própria saúde, física e mental. Dessa maneira, percebe-se a necessidade de mudança desse panorama caótico.
Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de atenuar o quadro de banalização das cirurgias plásticas na modernidade. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio das redes sociais e canais televisivos, a criação de campanhas que alertem sobre os riscos desses procedimentos. Essa campanha deve ser transmitida a partir de dados, demonstrados por médicos, com o objetivo de causar a conscientização nas pessoas, de forma a elucidar a importância da sanidade em detrimento de um corpo perfeito. Além disso, barreiras devem ser impostas para desacelerar o processo de realização de cirurgias estéticas, como a análise minuciosa, a partir de exames, que comprovem a real necessidade de realização do processo, não só motivado pela busca pela estética. Só assim as mídias digitais poderão atuar de forma positiva para auxiliar no bem-estar da coletividade.