A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 12/11/2021
O romance “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é segura desprovida de problemas. Tal obra mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante a banalização de cirurgias plásticas, problema ainda a ser combatido no século XXI. Esse panorama lamentável ocorre não só pela pressão estética imposta pela indústria cultural, mas também devido à falta de informações acerca das consequências cirúrgicas e qualidade médica. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar a carência de investimentos em modelos e artistas que não foram submetidos a procedimentos estéticos, deriva da ineficiência do poder público, no que concerne a criação de mecanismos que cobririam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social, para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno contemporâneo, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, a população fica majoritariamente representada por estereótipos moldados em mesas cirúrgicas. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, a falta de informação mediante as consequências e qualidade de seus profissionais cirúrgicos apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com o Jornal Nacional. Tal conceito abordado é exposto, haja vista que retratou um caso de uma dentista que prometia a realização de cirurgias com um determinado medicamento, mas após investigações constatou-se que ela trocava por outro fármaco mais barato e perigoso para a saúde, o que resultou na deformação do rosto de várias mulheres, outrossim, segundo o site “O’Tempo”, em 2018 foi constatado que 87,4% das pessoas que fizeram cirurgia plástica eram mulheres. Logo, tudo isso aumenta a banalização de cirurgias plásticas no mundo, já que, o excesso desta contribui para a perpetuação do quadro atual.
Assim sendo, torna-se indubitável a atuação de medidas públicas e coletivas para garantir o aumento da conscientização a respeito das cirurgias plásticas no cenário contemporâneo. Posto isso, cabe o investimento do Ministério da Cidadania associado a vários influencers que não realizaram procedimentos estéticos na divulgação de seus conteúdos, com o intuito de criar um novo padrão que encaixe pessoas naturais. É válido ressaltar, o empenho do Ministério da Saúde em parceria com os meios de comunicação na fiscalização e exposição de cirurgiões não credenciados, além de informar as consequências que as cirurgias podem causar, a fim de evitar a perpetuação de casos mal sucedidos.