A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2021
O filósofo Raimundo de Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para Bandeira Nacional Brasileira, mas também para a nação que, na atualidade, enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento. Infelizmente, entre eles, a mediocrização de cirurgias estéticas representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Com efeito, é imprescindível enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares dessa chaga.
Primeiramente, vale destacar o fator grupal. Conforme Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Sob essa óptica, a falta de debate acerca dos riscos das cirurgias plásticas, entretanto, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, resulta em uma população que se ultiliza da prática de maneira incosciente, sem se atentar se realmente há necessidade para tal procedimento, haja vista que a falta de conhecimento a leva a agir embasada no senso comum. Desse modo, o primeiro passo para o progresso habermeseano é discorrer criticamente o problema.
Ademais, merece atenção o quesito constitucional. Segundo Jean-Jaccques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural, para que o Estado garanta direitos intransigentes. Entretanto, seja por falta de interesse dos órgãos públicos, seja pela dificuldade em se articular em um território de dimensões continentais, a realidade diverge da proposta do filósofo, pois o Estado não garante o direito a informação no que tange aos procedimentos estéticos, além dos impactos negativos da desinformação, há a banalização dos mesmos, fato que leva a sua realização desenfreada e atinge muitas pessoas. Nessa perspectiva, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, mais de 1 terço das pessoas entre 36 a 50 anos é adepta a cirurgia plástica, destacando a necessidade de medidas públicas que conscientizem a população.
Entende-se, portanto, a problemática como sendo intrínseca de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, deve debater o assunto com esteticistas, ao apresentar visão crítica acerca do assunto e mostrar as dificuldades de realização dos processos cirúrgicos, além de alertar sobre os riscos, com o intuito de direcionar a população e desbanalizar o cenário de procedimentos estéticos. Essa medida deve ocorrer por meio da criação pelo Governo Federal de um projeto estatal, com parceria do Ministério das Comunicações, ao ser incluído nas Diretrizes Orçamentárias. Dessa maneira, com o progresso habermeaseano e a justiça de Rousseau, a antíntese à máxima do símbolo pátrio será quebrada.