A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 13/11/2021

Na série televisiva “Greys Anatomy”, a médica Meridith Grey atende uma paciente menor de idade que havia feito uma cirurgia bariátrica ilegal em outro país, a menina não precisava de tal procedimento, o qual foi realizado por estética e apesar de haver reversão cirúrgica, a personagem teria sequelas para o resto de sua vida. Mesmo que esteja sendo retratada uma ficção, a realidade brasileira é de uma banalização de cirurgias com viés estético, que pode causar doenças ou até morte. Tal situação é causada por uma idealização da mídia em corpos irreais e por uma legislação frágil que não pune corretamente os responsáveis por procedimentos ilegais.

Em primeira análise, a indústria midiática enaltece corpos não naturais, fazendo com que haja uma insatisfação geral, principalmente para as mulheres, assim são vendidos mais produtos de beleza e aumenta a procura por cirurgias plásticas sem necessidade efetiva. Efeito disso são erros médicos e processos cirúrgicos mal realizados, visto que há uma desigualdade social que impede muitos indivíduos de realizarem operações nos locais corretos e com profissionais qualificados, por custarem mais caro. Assim, já dizia Byung Chul-Han que a sociedade atual é cansada e multarefa, baseada em busca de uma felicidade inalcançável, disseminada pelas redes sociais, assim como a idealização de corpos com photoshop, lipoaspiração e silicone.

Além disso, a fiscalização estética é precária, e ocorre, também, impunidade em relação àqueles que atuam irregularmente na área. Nesse sentido, para realizar tais processos, são necessários médicos profissionalizados, clínicas e produtos aprovados pela Anvisa, porém a maior busca está nos baixos preços, independente do local. Por conta disso, as intercorrências em sujeitos saudáveis ocorre com mais frequência, pois, muitas vezes, não há os equipamentos necessários para auxiliar em possíveis complicações e nem funcionários especializados. Diante disso, pela banalização estética no país, o Brasil é o primeiro em plásticas no mundo, com mais de 1,5 milhões de pacientes que recorreram a esse tipo de tratamento, em 2018, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a vulgarização da intervenção na aparência do brasileiro. Dessa maneira, é importante que o Ministério da Saúde, em parceria com a Receita Federal, destine parte dos impostos arrecadados na criação de um Centro Médico Municipal, especializado em auxiliar vítimas de erro médico, com denúncia e possível reparação de danos corporais e psicológicos. Para isso, precisaria de um médico perito auxiliador na investigação do relatado, podendo ocorrer a perca do CRM, de acordo com a gravidade do caso, para que haja uma diminuição nos relatos de falhas em sessões de intervenção, assim como ocorreu na série ficcional.