A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 13/11/2021
De acordo com dados da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil é líder em procedimentos estéticos no mundo. Sob essa ótica, denota-se, tristemente, a exarcebação do culto ao irreal padrão estético que assola o corpo social tupiniquim. Nessa senda, a banalização de procedimentos estéticos invasivos é fruto de origens sócio-históricas, enraizadas pelo racismo e machismo estrutural. Logo, tem-se como pontos dessa dicussão a exploração midiática exarcebada do culto ao corpo, enfática ao ideário magro e branco e, também, às pressões misóginas ao corpo feminino, maior público submetido à cirurgias plásticas consoante aos dados supracitados.
Em primeiro lugar, deve-se ater à discussão proposta, como o racismo estrutural sustenta à prática indiscriminada de cirurgias plásticas na cerne brasileira. Nesse sentido, explicita-se o seguinte: na ausência de regulamentação das mídias sociais, maior centro de consumo humano da atualidade, é evidente que se construiu um ideal a ser alcançado, por meio da exposição contínua de produtos, pessoas, marcas e estilos de vida. No entanto, todos esses elementos se voltam às concepções eurocêntricas de ‘‘beleza’’, o que evidencia, nitidamente, os contornos racistas enraizados na sociedade brasileira. Nessa ótica, corrobora-se que a maior parte desses procedimentos buscam à assimilação do modelo branco de corpo, o que viola às diversas identidades que constroem a nação brasileira. Nessa ótica, o Estado ao não garantir atos regulamentórios para controlar à disposição desse consumo nocivo à sociedade, fere à máxima preconizada por Thomas Hobbes: ‘‘O Estado é responsável pala garantia do bem-estar social’’, e contribui para a perdurância desse óbice na realidade atual.
Em segundo lugar, discute-se, também, a maior parcela da população afiligida por esse entrave: o público feminino. Nesse panorama, exemplifica-se: o machismo como meio de opressão e regulação das práticas corporais femininas, tem papel fundamental nos altos indíces de mulheres que são submetidas à procedimentos estéticos invasivos, em especial lipoaspiração. Dessa forma, a busca incessante em conquistar um corpo socialmente aceito, magro e sem marcas, subverte à consciência dos riscos oferecidos por essa prática, como trombose, embolia e, até mesmo, a morte, o que atesta à menoridade descrita por Immanuel Kant, ou seja, a incapacidade de pensar por si mesmo sozinho.
Visto isso, urge que o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação brasileira, em parceria com o Ministério da Saúde, formule campanhas por meio das redes sociais, que contenham palestras e debates com médicos e psicólogos, acerca dos riscos à saúde física e mental desses procedimentos. Isso deve ser feito com a finalidade de conscientizar à sociedade sobre o tema, para que se mitigue, por conseguinte, esse entrave. Somente assim, será possível que o povo brasileiro alcance sua maioridade.