A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 15/11/2021

Na música “Pretty Hurts” da cantora americana Beyoncé, o eu lírico lida com os padrões de beleza impostos pela sociedade e a necessidade de realizar cirurgias plásticas. Fora da composição, não é diferente, uma vez que operações estéticas estão abundantemente presentes na sociedade brasileira, seja pela desconsideração das instituições educacionais a respeito do assunto ou pela negligência da mídia.

Em primeiro lugar, é evidente que a banalização das cirurgias plásticas poderia ser evitada, se o sistema educacionail brasileiro abordasse com eficiência o assunto. Afinal, a discussão sobre tal problemática, quando acontece, é superficial, uma vez que o currículo escolar organiza os saberes para que sejam utilizados em vestibulares, não como convivência harmônica com si mesmo e com os outros. Analisa-se tal fato com o estudo realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as quais afirmam que em 2018, mais de 30% dos adeptos de tais procedimentos têm entre 19 e 35 anos, evidenciando a ineficácia da educação brasileira diante de tal impasse, visto que uma parte dessa faixa etária ainda encontra-se em período de formação.

Em segundo plano, observa-se a negligência da mídia, a qual impõe um padrão de beleza e inferioriza aqueles que não se encaixam em tal idealidade. Conforme o filósofo e sociólogo francês Pierre Bourdieu “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Trazendo ao século XXI, é notória a contradição entre a afirmação do filósofo e a indústria da mídia, a qual torna-se mecanismo de opressão, uma vez que ao idealizar certos biotipos, cria a falsa necessidade de efetuar cirurgias plásticas nos quais não se encaixam. Dessa manira, contribuindo para a banalização das operações estéticas.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para a resolução de tal impasse. Cabe, primeiramente, ao Ministério da Educação, responsável pela formação infantil a superior, por meio de uma alteração no currículo escolar, introduzir a problemática das cirurgias plásticas, abordando não apenas superficialmente, com o objetivo de criar alunos conscientizados e, consequentemente, reduzir tais operações. Cabe, também, ás mídias sociais, como Instagram, Facebook, Twitter e, também, as mídias televisivas, juntamente com o Ministério da Saúde, realizarem posts e campanhas que relatem as consequências de mediocrizar tais cirurgias e, além disso, realizar propagandas com diversidade de corpos, colaborando, assim, com a inclusão de todos os biotipos. Somente dessa maneira, a banalização das cirurgias plásticas deixará de ser uma problemática na sociedade brasileira.