A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 15/11/2021
Em “Auto Da Barca Do Inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português,tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere às cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, tendo em vista que se tornou algo banalizado e compulsório. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para esse quadro, esses como, a saúde relativizada em busca do corpo perfeito e as mídias sociais potencializando o consumo de beleza.
Em uma primeira análise, ressalta-se que no Brasil há uma grande deficiência de informações, o que acaba por contribuir com a banalização das cirurgias plásticas. Sob esse viés, o filósofo Shopenhauer defende que os limites sobre o campo de visão determinar seu entendimento a respeito do mundo. Desse modo, faz-se necessário ampliar o campo de visão através de informações acerca dos riscos de procedimentos estéticos. Todavia, essa pauta não é debatida nas escolas, redes de televisão nem nas mídias sociais, o que diminui consideravelmente as chances de resolução. Logo, é notório que a desinformação contribui para esse cenário de banalização.
Ademais, a padronização de beleza nas mídias sociais contribuem para esse quadro. Para Rupi Kauer, a representatividade é vital. A poetista ilustra sua tese fazendo analogia a uma borboleta que tenta ser mariposa por estar cercada delas. Fora da poesia, nota-se que a busca por procedimentos estéticos tem contribuído para o ideal construído nas redes sociais. Diante dessa realidade, pessoas comuns não se encontra em meio de influencers com a estética padronizada e buscar por atingir artificialmente. Tal quadro banaliza procedimentos estéticos de alto risco, visto que as pessoas se sentem pressionadas com seus corpos naturais.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolva palestras para o público por meio das redes sociais com entrevistas de pessoas que já foram vítimas de cirurgias que deram errado, e com médicos especialistas no assunto, com o objetivo de trazer informações sobre o tema. Dessa maneira, o comportamento vicioso do século XVI do livro “Auto Da Barca Do Inferno” não se aplicará mais no século XXI.