A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 15/11/2021
No início do século XX surgiu no Brasil o Movimento Modernista, o qual teve como objetivo desconstruir a forma fixa e rígida do conceito de belo apresentado pelos movimentos artísticos anteriores, dessa maneira, abrindo perspectivas para a pluralidade de belezas existentes. Todavia, nota-se, contemporaneamente, que a indústria da estética influencia, erroneamente, as mulheres brasileiras a procedimentos cirúrgicos visando a estética. Tal fato se justifica porque a representação na mídia do corpo feminino é atrelada a único padrão de beleza, ademais, os efeitos plásticos pretendidos, em grande parte dos casos, não são compensatórios ao risco cirúrgico.
Em uma primeira análise, é preciso elucidar que a pressão midiática, originária do desejo mercadológico, exorta as mulheres a terem corpos modelados, os quais, em muitos casos, são resultantes de procedimentos cirúrgicos, como a lipoaspiração, por exemplo. Segundo Adorno e Hokheimen, filósofos contemporâneos, a indústria da cultura de massa, como se pode entender a da estética, aliciam suas consumidoras a seguirem o modelo de beleza vendido, visto que, dessa maneira, elas não se sintam feias e consequentemente as indústrias aumentem seus lucros. Nessa perspectiva da indústria cultural, percebe-se que, maliciosamente, as mulheres são induzidas a se verem feias nas suas versões naturais, corroendo, desse modo, não apenas a autoestima do indivíduo, mas, também, envergonhando-o frente as suas diferenças de formas corporais do que é pregado pela moda vigente.
Outrossim, convém analisar os riscos que, sem necessidade real, algumas mulheres se submetem na cirurgia plástica. De acordo com Dráuzio Varella, médico e escritor, uma cirurgia simples pode levar a quadros infecciosos complexos, o que, em alguns casos, poderá evoluir para o óbito do paciente. Logo, fica evidente que a cirurgia plástica pode ocasionar a degradação da saúde do paciente, transformando um procedimento puramente estético em um problema complexo, como, por exemplo, uma infecção generalizada.
Desse modo, faz-se necessário assegurar que as cirurgias plásticas não sejam banalizadas no Brasil. Para isso, será necessário que o Ministério da Saúde - maior e mais importante instituição salutar do país-, por meio de criação de regulamentação das cirurgias plásticas, imponha a todo paciente de procedimentos estéticos a necessidade de um laudo psicológico, para que, assim, o atestado de saúde mental valide a necessidade da cirurgia para o paciente, dessa maneira, diminuindo a influência do mercado da moda sobre o indivíduo e eliminando riscos desnecessários de procedimentos estéticos. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, analogamente aos modernistas, a beleza seja valorizada de forma plural.