A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 16/11/2021

O Renascimento, movimento artístico e cultural da Modernidade, resgatou valores clássicos da Antiguidade responsáveis pela exaltação e imposição da perfeição greco-latina idealizada. De maneira análoga, sob influência do padrão de beleza vigente, a coerção estética, socialmente construída, acarreta na banalização de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Assim, urge que medidas sejam tomadas com o intuito de amenizar a problemática, motivada não só pela má influência midiática, mas também pela inação governamental diante do tema.

Em primeira instância, evidencia-se os parâmetros veiculados pela mídia como fator determinante para persistência da questão. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, a indústria cultural, existente a partir da Revolução Industrial, é responsável pela formação de uma percepção comum voltada ao consumismo. A esse respeito, observa-se que a mercantilização de procedimentos estéticos, retroalimentada pelos meios de comunicação, impõe paradigmas inalcançáveis, os quais sustentam um sistema que se aproveita da insegurança imposta, sobretudo, ao público feminino. Assim, é inconcebível que a normalização da aparência perfeita seja propagada e perpetue o quadro patológico supracitado.

Ademais, é incontestável que o descaso da esfera federal configura-se como outra causa do problema. Segundo o filósofo iluminista John Locke, o Estado possui o dever de assegurar os direitos naturais do indivíduo. Todavia, é fato que o Poder Público rompe com essa paridade, visto que a falta de fiscalização e a legislação fraca impulsionam práticas cirúrgicas suspeitas e ilegais, que ocasionam complicações ou morte dos pacientes. Dessa forma, faz-se mister melhores medidas pelas autoridades competentes, para que o maior número de pessoas usufruam da garantia “lockiana” mais importante de todas - a vida.

Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar o entrave apresentado. Para isso, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social, órgão federal responsável pelo gerenciamento publicitário brasileiro, a implementação de programas telecomunicativos que incentivem a conscientização acerca da estética, por meio de canais relacionados à mídia, a fim de esclarecerem a seriedade de procedimentos estéticos e a importância da saudável autoaceitação. Porventura, desse modo, tal hiato reverter-se-á, e as cirurgias plásticas não serão alvo da alienação consumista proposta pelos frankfurtianos.