A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 18/11/2021
“Tire a máscara que cobre o seu rosto, se mostre e eu descubro se eu gosto do seu verdadeiro jeito de ser”. Ao observar esse trecho da música “Máscara” pode-se fazer uma analogia à banalização das cirurgias plásticas da sociedade contemporânea, visto que esse fenômeno faz com muitas pessoas usem cada vez mais máscaras para serem “perfeitos”. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: o padrão de beleza vigente no país e a mercantilização dos corpos.
A priori, é importante mencionar o quanto o padrão de beleza imposto pela sociedade colabora com a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Isso ocorre porque, segundo o escritor Guy Debord, no livro “Sociedade do Espetáculo”, as pessoas simulam, a todo instante, a melhor versão de si para serem socialmente aceitáveis. Constata-se essa realidade por meio do caso da modelo Andressa Urach, a qual se submeteu a diversos procedimentos cirúrgicos e, em um dos últimos, adquiriu uma infecção generalizada e quase faleceu. Diante desse cenário, percebe-se o quanto a busca por um padrão de beleza inalcançável é algo extremamente prejudicial para a saúde dos indivíduos.
Outrossim, a mercantilização dos corpos é mais um agravante para essa problemática. Haja vista que, segundo o sociólogo Karl Marx, nas sociedades capitalistas tudo vira mercadoria, inclusive as pessoas. Um exemplo disso é observado por meio da história do “Ken humano”, uma simulação do namorado da boneca Barbie, em que o cidadão já realizou inúmeras cirurgias, de modo obcecado, para ser cada vez mais parecido com o personagem supracitado. Nesse contexto, é visível que há uma mercantilização desse corpo, visto que há a banalização das cirurgias plásticas realizadas, fazendo com que o indivíduo continue no ciclo vicioso de alterações estéticas desnecessárias e os profissionais realizem cada vez mais procedimentos cirúrgicos desse tipo.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater a banalização das cirurgias plásticas no país. Para isso, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social elaborar propagandas televisivas que abordem a temática. Isso deve ser feito por meio de imagens, textos e palestras curtas sobre a importância de reconhecer que deve existir o respeito às “belezas” e não a imposição de padrão, a fim de que as pessoas não se submetam a procedimentos cirúrgicos desnecessários. Atrelado a isso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar cursos online e gratuitos para cirurgiões, para que estes reforcem o aprendizado sobre a importância da ética e do profissionalismo, com o fito de reduzir o processo de mercantilização dos corpos. Diante de tais feitos, as máscaras que cobrem boa parte dos indivíduos estarão presentes apenas na letra da canção da cantora Pitty.