A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/11/2021

“O importante não é só viver, mas viver bem”. A declaração de Platão, filósofo grego, permite refletir sobre como viver sem qualquer tipo de padrão estético imposto pela sociedade é apenas o primeiro passo para possuir qualidade de vida.  Entretanto, no cenário atual, cada vez mais as pessoas procuram atingir padrões de beleza inalcançaveis e correm diversos riscos cirurgicos para atingir esse objetivo. Nesse contexto, convém avaliar as principais causas que intensificam a banalização das cirurgias plásticas na sociedade, dando destaque à alienação da população e à negligência estatal.

A princípio, é importante ressaltar que a manipulação dos indivíduos contribui para banalização dos procedimentos estéticos. Consoante a filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do Mal”, reflete sobre o resultado do processo de massificação da população, o qual torna as pessoas incapazes de fazer julgamentos morais e coerentes. Nessa perspectiva, a alienação torna as pessoas vulneráveis a buscar um padrão de beleza ilusório e imposto pela sociedade,  já que incapazes de pensar de forma correta acabam seguindo as tendências da atualidade para se “encaixar” na sociedade.  Dessa forma,  a falta de senso crítico por parte dos indivíduos solidifica a naturalização das cirurgias plásticas.

Ademais, é relevante destacar que a ineficiência do Estado cria um quadro de procedimentos estéticos realizados em clinicas clandestinas. Essa inércia governamental se explica com as idéias do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau ao dizer que o bem público só se coloca em pauta quando as necessidades indivíduais também  são afetadas. Assim, os políticos por não estarem sujeitos aos riscos proporcionados pelas clinicas irregulares, deixam de lado tal realidade que afeta grande parte da população.  Desse modo, o governo que deveria ser responsável por ajudar a solucionar os problemas gerados pela banalização das cirurgias plásticas acaba na verdade precarizando  a  situação.

É urgente, portanto, que medidas sejam adotadas para combater as causas que intensificam a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Nesse sentido, o Governo - responsável pela transformação social - por meio de leis, deve criar um orgão responsável por fiscalizar os estabelecimentos que realizam procedimentos estéticos, tendo como objetivo principal eliminar todas as possíveis clinicas clandestinas existente. Somado a isso, palestras e debates deverão ser criados para incentivar e despertar o pensamento crítico na população, visando combater a alienação existente na sociedade.  A fim de contribuir para uma situação difícil, essas medidas deverão ser executadas para solucionar o problema.