A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 20/11/2021

Na série americana “Eu, a patroa e as crianças”, o protagonista Michael Kyle resolve passar por um procedimento estético qu logo depois dá errado deixando seu rosto deformado o que compromete, por exemplo, sua visita a um tribunal judiciário. Saindo da ficção, é possível afirmar que a história de Michael se repete na vida de muitos brasileiros, uma vez que a banalização de procedimentos estéticos traz sérios efeitos negativos não só na saúde dos indivíduaos como também socialmente. Isso ocorre não só pela pressão midiática como também pela ausência de medidas legislativas para resolver a questão.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que as mídias digitais veiculam, em sua maioria, uma pressão estética. Nesse viés, para o escritor George Orwell os meios de comunicação em massa constituem uma importante ferramenta na moldura do pensamento social. Nessa perspectiva, embora seja apresentado na televisão uma diversidade estética de formas corporais, ainda assim há uma pressão social para a busca de um corpo escultural, seja pela influência de celebridades, seja pelo investimento de empresas estéticas. Prova disso, são as clínicas estéticas lotadas por pessoas descontentes com sua forma física. Nesse sentido, a banalização das cirurgias plásticas é alicerçada por uma forte influência midiática.

Consequentemente, tais motivadores geram incontestáveis efeitos negativos na sociedade brasileira. Tendo isso em vista, a ausência de medidas legislativas é preocupante, uma vez que a banalização de procedimentos estéticos é causado pela ausência de leis que visem frear o aparecimento de clínicas clandestinas que,  em sua maioria, oferecem riscos a saúde dos pacientes, tendo em vista a falta de higiene e segurança dos locais. Segundo Aristóteles, as leis constituem agentes importantes na manutenção da ordem social. Mostra-se assim que, a ausência de leis favorece a banalização de cirurgias estéticas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses fatores. Para isso é imprescindível que o Governo Federal crie o programa “Estética saudável”. Esse programa através de influenciadores digitais irá trazer de forma descontraída um discurso que promova a diversidade estética, apresentando a beleza que outras formas corporais representam, com o objetivo de desconstruir uma visão cultural do corpo idealizado. O Senado Federal também deve promover leis que visem diminuir a quantidade de clínicas de estética clandestinas com o auxílio da polícia federal, com o intuito de que haja uma efetiva diminuição nos casos de pessoas com deformações corporais devido a erros no decorrer do procedimento cirúrgico, assim a coletividade estética será alcançada de forma contudente no Brasil.