A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 12/01/2022

A Constituição Federal de 98 prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde e segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prorrogativa não vem se reverberando com ênfase na prática quando se observa a banalização das cirurgias plásticas na sociedade, o que dificulta, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de alguns fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de responsabilidade de muitos médicos e insuficiência das penalidades. Nesse sentido, a falta de debate sobre o quão invasivas são as cirurgias plásticas e como elas ganharam toda uma popularidade mesmo sendo uma descoberta tão recente (como a Lipo Lad) faz com que os pedidos de intervenções em seus corpos sejam cada vez mais crescentes dentro de consutórios de estética. Segundo o Jornal Folha Vitória, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Cada país existe uma cultura e um padrão de beleza, no Brasil o corpo bronzeado, malhado, magro e cheio de curvas é um padrão antigo que é muito exaltado em novelas desde os anos 80. Nessa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, confugura-se como violação do “contrato social’, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como saúde e segurança ao público, o que infelizmente, é evidente no país.

Ademais é fundamental apontar a má influência da mídia e dos influenciadores digitais como impulsionador da autocobrança excessiva para atingir um padrão de beleza criado pela própria mídia. Celso Santebañes, conhecido na mídia por realizar inúmeras cirurgias para ficar parecido com Ken Humano, faleceu pouco tempo depois de descobrir um cancêr raro e uma infecção com Hidrogel. As redes sociais e seus filtros quando não usados de forma saúdavel reforçam a insatisfação e podem acabar virando um transtorno psicológico como a distorção corporal. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Judiciário, por intermédio da mídia traga propagandas e debates em redes sociais e novelas, nas escolas sejam colocadas na grade currícular palestras e feiras com profissionais da área da saúde e que sejam abertas a população a fim de alertar as pessoas sobre o perigo do exercício das cirurgias sem uma real importância. Assim, se consolida uma sociedade mais atenta aos perigos da cirurgia sem necessidade e o Estado desempenhará corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.