A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/01/2022

Na obra “21 lições para o século XXI”, o escritor israelense Yuval Noah disserta sobre os temas sociais que contemplam a pós-modernidade como, por exemplo, a preocupação com a aprovação social. Para além da obra, verifica-se que, na conjuntura brasileira hodierna, muitos indivíduos preocupam-se excessivamente com a beleza corpórea, em detrimento, por vezes, da própria saúde - como ocorre em cirurgias plásticas - sob a justificativa de sentir-se excluído da sociedade, por não cumprir um molde estético. Nesse viés, faz-se conveniente a análise das causas desse revés, dentre as quais se destacam a influência midiática e a carência de estímulo ao senso crítico.

Mormente, faz-se pertinente ressaltar o poderio manipulador do qual dispõem os meios de comunicação social. Posto isso, de acordo com o escritor e jornalista inglês George Orwell, “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, isto é, paradigmas de comportamento são originados a partir de publicidades e outros subterfúgios dos quais se vale a comunicação. Diante de tal exposto, pode-se aplicar tal concepção à banalização das cirurgias plásticas, em que influenciadores digitais - ao expor suas vidas - ditam padrões de beleza intangíveis, não naturais e, em algumas situações, alcançáveis apenas por procedimentos cirúrgicos. Nesse sentido, os brasileiros embebidos em uma doutrina narcicista e perfeccionista, são propensos a agir conforme a falsa ideia transmitida e, por conseguinte, assumir riscos incalculáveis tais quais o que resultou em morte, em 2021,da influenciadora Liliane Amorim, após realizar uma lipoaspiração.

Outrossim, é igualmente pertinente fazer alusão à carência de criticidade por parte dos cidadãos do Brasil - país que ocupa a primeira posição no “ranking” de países com mais cirurgias estéticas realizadas. Assim sendo, confome os filósofos iluministas Diterot e D’Alembert - autores da “Enciclopédia” - a democratização da educação é fundamental no combate à alienação dos cidadãos, garantindo aos mesmos sua efetiva liberdade. Sob essa ótica, uma educação ineficaz e pouco acessível forma pessoas com maior probabilidade de se submeterem irrefletidamente a valores e costumes - como realização de operações para embelezamento prescritos numa sociedade - especificamente - por celebridades, grupos midiáticos e “influencers”. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.

Portanto, são imprescindíveis medidas capazes de mitigar a problemática supracitada. Dessarte, a fim de conscientizar a população brasileira acerca da trivialização de cirurgias plásticas, cabe ao Governo federal, mediante propagandas televisivas no horário nobre - bem como contratação de influenciadores digitais - prover de informações sobre riscos imanentes a procedimentos estéticos os cidadãos de todo o país. Ademais,assiste ao Ministério da Educação, colocar esse tema na sala de aula.