A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 07/02/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos ao corpo social. Nesse sentido, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea é um fato social patológico, configurando-se como extremamente danoso para a coletividade. Sob esse viés, essa grave problemática não acontece somente devido à omissão estatal, mas, também, por causa da negligência da mídia.

Nesse panorama, o desleixo do poder público é um imperioso promotor da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Sob essa ótica, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, ao assinar o Contrato social. Diante disso, o descaso do Estado é uma alarmante quebra do Contrato social, porque desassiste as pessoas que se submetem a procedimentos estéticos sem necessidade, muitas vezes por desconhecimento e, assim, deixa como consequência um risco cada vez maior para a ocorrência de casos de mortes por complicações em procedimentos estéticos. Nessa perspectiva, o poder público se faz inoperante nessa situação, pois não indica para a população, adequadamente, as possíveis ameaças associadas a tratamentos desnecessários, como deformações.

Ademais, a escassez de devido foco da imprensa é um notória incentivadora da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Sob essa ótica, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Dessa forma, a desatenção dos meios de comunicação às mazelas relacionadas à banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea é uma normalização de um empecilho danoso, porquanto vidas poderiam ser salvas se a mídia usasse do seu contato com o povo para expor adversidades pertinentes ao tecido social, como o acontecido da influenciadora Liliane Amorim, que morreu por ter feito uma intervenção em seu corpo somente pelo lado estético. Nesse viés, a imprensa é criminosa nesse caso, já que deixa como legado de sua negligência a desinformação para a coletividade e, por conseguinte, o descumprimento da sua função social.

Portanto, para que haja uma mitigação da banalização das cirurgias plásticas, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, deliberar leis de inclusão desse assunto nas escolas, por meio da sanção do presidente, a fim de que o país se torne melhor e, consequentemente, próspero. Além disso, os meios de comunicação devem, com a ajuda da iniciativa privada, criar campanhas de conscientização sobre os perigos relacionados à banalização das cirurgias plásticas, veiculadas na internet, por intermédio de cartazes publicitários, com o fito de cumprir o Contrato social de Hobbes.