A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 02/05/2022

Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é o país com o maior número de realizações de cirurgias plásticas no mundo. Com quase 2 milhões de procedimentos feitos anualmente, fica evidente que a nação brasileira sofre com uma banalização das cirurgias plásticas. Essa vulgarização dos tratamentos estéticos é resultado da influência das blogueiras e de uma busca constante pela adequação aos padrões existentes.

Em primeiro lugar, com a popularização dos chamados ‘‘influencers digitais’’, também se tornou comum a realização de cirurgias plásticas nas redes sociais. Atualmente, as blogueiras, pessoas que produzem conteúdo na internet, trocam plásticas por divulgação das clínicas estéticas na mídia, como é o caso da influenciadora Viih Tube, que com 20 anos de idade realizou uma lipoaspiração (mesmo sendo magra) por meio de permuta. Com isso, as blogueiras influenciam milhões de seguidores a realizarem as cirurgias plásticas, banalizando tais procedimentos.

Além disso, existem na sociedade contemporânea, diversos padrões estéticos que os indivíduos tentam alcançar constantemente. No livro ‘‘Juntando os pedaços’’, de Jenniver Niven, Libby Strout é uma adolescente obesa que retorna à escola após um longo período em casa pelas suas condições físicas. Devido aos padrões existentes, Libby sofre muito bullying pelo seu peso. Acontecimentos como o relatado nesse livro, levam as pessoas a buscar de forma exaustiva o ‘‘corpo perfeito’’ e a passar por tratamentos estéticos descomedidamente.

Portanto, fica claro que as cirurgias plásticas passam por um período de banalização na sociedade contemporânea. O Ministério da Saúde, através de parcerias com influenciadores digitais, deve criar campanhas que alertem sobre os riscos da banalização de tais procedimentos, incentivando a aceitação do próprio corpo e censurando o bullying. Isso deve ser feito para que as pessoas não sejam induzidas a realizarem cirurgias plásticas sem necessidade, não busquem repetidamente a adequação aos padrões existentes e esses tratamentos não sejam vulgarizados.