A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 20/04/2022

Desde que as mulheres iniciaram sua trilha em busca de mais liberdade, surge de maneira intrínseca a preocupação com o seu próprio corpo. Com o passar dos a-nos, esse cuidado passou a ser uma obsessão e a banalização das cirurgias plásti-cas na sociedade contemporânea converteu-se em um grande desafio. Neste viés, torna-se lícito considerar a padronização dos corpos e a teoria da menoridade.

No primeiro momento, vale destacar a uniformização estética. De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, mais de 60% dos jovens sente a necessidade de mudar algo na sua aparência. Esta situação demonstra que as pes-soas buscam uma beleza convencionada, estabelecida especialmente por meio de propagandas, o que leva o sujeito à busca constante pelas cirurgias plásticas. Des-sarte, esses procedimentos vêm como a principal alternativa para encaixar os indi-víduos no padrão social, levando a uma trivialização de cirurgias que possuem de-terminados riscos à saúde do paciente (inclusive de morte).

Outrossim, é urgente salientar o conceito de menoridade kantiano. O filósofo prussiano Kant postulou que o ser humano encontra-se em um estado de menori-dade, em que é influenciado por tudo ao seu redor. Isto posto, em concordância com essa teoria, as influenciadoras digitais brasileiras fazem e divulgam suas diver-sas cirurgias estéticas, levando os seus espectadores a desejar os mesmos procedi-mentos. Essa situação é exemplificada pela cantora e influenciadora Anitta, uma vez que ela fala com orgulho de suas inúmeras cirurgias, induzindo seus milhões de seguidores na rede social.

Portanto, com o propósito de encontrar caminhos para contornar a situação da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, é imperativo que sociedade e Estado atuem em sinergia. Este, através do Poder Legislativo, deve implantar leis mais concisas frente às campanhas publicitárias, impondo a diversi-dade de pessoas, com a finalidade de reduzir a padronização da beleza e redução dos procedimentos estéticos. Aquela, por meio das escolas (como principal forma-dora da moral) tem de implementar uma nova disciplina na grade curricular, que vise ensinar ao estudante os perigos da internet e de seus influenciadores, para que as plásticas deixem de ser tão valorizadas.