A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 13/07/2022
Após a Primeira Guerra Mundial, na qual muitas pessoas tiveram graves ferimentos e amputações, as cirurgias plásticas se popularizaram quando elas, além de salvar vidas, restauravam corpo. Entretanto, hodiernamente foram banalizadas e se subverteram um objeto de desejo estético, de forma que as pessoas se transformaram em reféns de sua própria imagem. Logo, urge a necessidade de entender mais sobre este culto estético e o que ele implica.
Em primeira instância, é plausível apontar que a mercantilização do corpo criou o que é conhecido como padrão estético. Dados oficiais da pesquisa feita pela marca de cosméticos Dove afirmam que, dentre 6.400 mulheres entrevistadas, apenas 4% se definem como belas. Seguindo este panorama lamentável, é imperativo apontar a forma como a mídia e o capitalismo impulsionam esta visão criteriosa e deturpada imposta as mulheres, lucrando com suas inseguranças. Desta forma, as cirurgias plásticas são constantemente apontadas como meio para corrigir uma insatisfação corporal, em uma sociedade onde o ácido butolínico e o silicone valem mais do que o amor próprio, é necessária a conscientização de que o corpo padronizado não é sinônimo de felicidade.
Em segundo plano, é necessário considerar a forma como as influências digitais impõem a ditadura da beleza. Hodiernamente, as cirurgias de lipoaspiração HD são extremamente romantizadas por personalidades da internet, as quais se colocam a um risco cirúrgico por meio da permuta, a exemplo da influenciadora Virginia Fonseca. De modo imponderado, é retratado nas mídias sociais a utopia da felicidade conduzida por reparos estéticos, encobrindo as problemáticas e possíveis desavenças cirúrgicas. Ademais, é necessário que essa ditadura da beleza seja rompida em prol da autoaceitação.
Tendo em vista as problemáticas que envolvem a banalização das cirurgias, é necessário que medidas sejam tomadas. É imperativo que o Conselho Nacional da Autorregulação Publicitaria (CONAR), promova a regulação de propagandas feitas por clínicas estéticas e influenciadores por meio da imposição das problemáticas que a cirurgia acarreta, para que assim a sociedade não se engane. Feito isso, a diversidade e a beleza natural serão propiciadas.