A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 24/05/2022

A produção cinematográfica brasileira Linda de Morrer retrata o cenário de uma consequência negativa da realização de intervenções estéticas, onde a personagem principal acaba morrendo em decorrência de um procedimento de eliminação de celulites. Ao analisar a atual sociedade brasileira, nota-se como cenas iguais a da ficção são cada vez mais comuns devido a popularidade e consequente banalização dos procedimentos estéticos invasivos. Dentro desse contexto, se faz necessário entender como a atuação da influência das redes sociais e a facilidade para se realizar uma intervenção sustentam essa problemática.

Nesse viés, é perceptível o papel negativo de influência das mídias sociais. O problema é enfatizado pelas falas de Bauman que esclarece como nossa sociedade tem o sentimento da felicidade atrelado ao consumo, e dentro das redes sociais, com a propagação de padrões irreais de beleza pelas celebridades, se tornou quase uma necessidade pagar por cirurgias plásticas para se viver bem. Dessa forma, a realidade falsa de satisfação com a própria aparência mostrada atravéz da tela e a promoção de procedimentos estéticos para alcançar esse bem-estar levam a banalização dessa prática.

Outrossim, é necessário pontuar a facilidade de acesso que é dada a população atualmente, de forma que diversos tipos de procedimentos são feitos de formas inadequadas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) o número de intervenções estéticas feitas em menores de 18 anos aumentou para 141% nos ultimos dez anos, tais números mostram como nem mesmo adolescentes que não possuem maturidade suficiente podem ser sujeitos a essa situação. Logo, com essa popularização surgem falsos profissionais e métodos não seguros ofertados para as pessoas e que acabam por oferecer até mesmo riscos de vida.

Portanto, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com a SBCP, deve realizar campanhas públicas de concientização sobre a realização de procedimentos estéticos seguros e organização de debates em escolas com presença de pessoas com histórico de cirurgias plásticas, a fim de incentivar a reflexão sobre autoaceitação e a influência da mídia.