A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 12/06/2022
O romance filosófico “Utopia”- criado pelo escritor inglês Thomas More no sécu- lo XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à banalização das cirurgias plásti- cas, que deve ser alvo de discussão no Brasil. Dessa forma, entre os fatores relacio- nados a esse segmento pode-se destacar a pressão estética e a falta de autoestima das pessoas.
Mormente, cabe relacionar a busca por um corpo ideal como fator gerador da questão. De acordo com Simone de Beauvoir o mais escandaloso dos escândalos é aquele que nos habituamos a ele. Sob essa perspectiva, a busca de um corpo cultu- ralmente idealizado faz com que os cidadãos recorram a procedimentos estéticos, a fim de aderir ao padrão de corpo perfeito. Desse modo, mais escandaloso que a ocorrência dessa situação é o fato da população se habituar a ela.
Por conseguinte, esse cenário torna-se ainda mais alarmante com a falta de aceitação das pessoas sobre si mesmas. A serie “Anne with an e” conta a história de uma menina que tem baixa autoestima e que luta para ser aceita no mundo em que vive. Por analogia, essa situação pode ser refletida na vida de diversos jovens que são acometidos de grande pressão sobre seus corpos. Ademais, essa pressão pode gerar uma busca inalcançável de um padrão corpóreo para ser assim, aceito socialmente. Logo, tudo isso contribui para a perpetuação desse quadro caótico.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Para tanto, o go- verno federal -Poder Executivo no âmbito da União- deve criar uma campanha que informe sobre os riscos e consequências das intervenções plásticas para os cida- dãos brasileiros. Isso seria realizado por intermédio da Mídia e de profissionais da área, a fim de promover um debate necessário sobre o empecilho. Espera-se, com isso, concretizar a “Utopia” de More hodiernamente.