A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2022

No filme “A pele que habito” é narrada a história de Roberto, um conceituado cirugião plástico que vive com sua filha em Los Angeles. Em seguida, após sofrer um acidente de carro, sua esposa tem o corpo inteiramente queimado e, ao ver sua imagem refletida na janela, se suicida. Infelizmente, a narrativa não destoa da realidade brasileira, uma vez que hà o aumento da insatisfação com a própria imagem ,o que gera uma busca incessante por cirugias plásticas ocasionado sua banalização.

Tal conjuntura deve-se ao apelo midiático frente a um padrão de beleza social. Em sua obra “A sociedade do espetáculo”, Guy Debord diz que o homem tem suas escolhas pessoais influênciadas principalmente pelo meio ao qual está inserido. Este fato pode ser observado na atualidade, em fotos publicadas nas redes socias, quando o indivíduo manipula sua imagem por meio de filtros(Photoshop), buscando sua auto afirmação. Ademais, de acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), o Brasil, em 2021, realizou cerca de 483,6 mil cirurgias, sendo mais de 70% para fins estéticos, o que demonstra uma vulgarizalçao desses procedimentos no país.

Consequentemente, tem se formado uma sociedade altamente instável emocionalmente mediante essa ditadura de beleza no país. De acordo com o especialista em Saúde Pública Francisco Romão, há uma preocupação excessiva com o corpo, não só pela busca de procedimentos estéticos, mas também academias, farmácias e salões de beleza. Essa preocupação estética está naturalizada no cotidiano do brasileiro e cresce ano após ano. Com isso, muitas pessoas que se veêm fora dessa “Nova Realidade” desencadeiam uma série de distúrbios psicológicos dentre eles a depressão e a ansiedade, resultado também de procedimentos mal-sucedidos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Saúde em conjunto com as mídias sociais,deve alertar a sociedade quanto aos malefícios e possíveis consequências na realização excessiva de cirugias plásticas,por meio de propagandas televisivas, sites em redes sociais e outdoor`s. Para que haja,assim, uma reflexão do quão invasivas são essas cirurgias para o corpo humano. Ademais, em tais sites poderão ser postados casos reais de cirurgias mal sucediadas, aliado a realtos de frustações. Espera-se com essa ação, uma diminuição gradativa na procura por cirurgias reparadoras no país.