A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 13/06/2022
Comtemporaneamente, com o advento das redes sociais, o que se pode observar é a hipervalorização de um corpo considerado perfeito pelas mídias. De modo que, somente nos últimos dez anos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Além disso, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial em número de cirurgias plásticas. Logo, fica caracterizada uma ameaça a saúde pública, não só pelos riscos corridos a cada procedimento, mas também pela sanidade mental afetada pela imposição midiática de um “corpo perfeito”.
Nessa perspectiva, vale ressaltar a crescente indústria clandestina que vitimiza, em sua maioria, pessoas com baixo poder aquisitivo. Por conseguinte, um caso que chocou o país em 2021, foi o de Ronilza Johnson, de 45 anos, que, infelizmente, veio à óbito após realizar uma cirurgia nas nádegas em uma clínica, sem alvará de funcionamento, em Goiás. O que mostrou ao mundo, mais uma vez, o quanto essa busca pela suposta perfeição pode ser perigosa.
Não obstante, a banalidade dessas cirúrgias encontra-se diretamente relacionada às mídias sociais uma vez que diversas celebridades e subcelebridades disseminam, com alto alcance popular, um estereótipo físico padronizado, e até mesmo a prática desses procedimentos para conseguí-lo. Nesse sentido, a Lipo LAD, uma intervenção que deixa o abdomên aparentemente musculoso, possui mais de 90 mil hashtags no Instagram e inúmeros influencers já fizeram e postaram sobre, como é o caso da da blogueira fitness Anna Livya Padilha.
Diante do exposto, tendo como base a definição de saúde da Organização Mundial da Saúde (um estado de completo bem-estar), faz-se necessária uma intervenção do Estado, já que grande parte da população não se encontra bem com o próprio corpo. Portanto, o Governo Federal por intermédio do Ministério da Saúde, deveria promover uma ação midiática nas redes sociais em conjunto com grandes perfis da rede, por meio de vídeos de curta duração, explicativos e comoventes, afim de tornar os ambientes virtuais mais reais e acolhedores, para a longo prazo os usuários buscarem qualidade de vida ao invés de uma aparência massificada.