A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 21/06/2022
Cirurgia plástica: compulsão ou bem-estar
Em “O auto da barca do inferno” o escritor Gil Vicente narra uma crítica ao comportamento vicioso presente na sociedade do século XXI. Assim como na obra, o método de cirurgias plásticas se tornou compulsório e, consequentemente, um procedimento banalizado. Dessa maneira, a busca por um padrão estético imposto e reforçado pela mídia não só influencia a realização das cirurgias, mas também pode resultar em consequências negativas físicas e mentais.
Primeiramente, o padrão corporal determinado pela mídia, inúmeras vezes, se torna inalcançável ao cotidiano de homens e mulheres. Além da exposição em canais de televisão, as redes sociais potencializam os impactos que “corpos perfeitos” geram na sociedade ao normalizarem as cirugias. Assim como descrito por Lamarck, o indivíduo é fortemente influenciado pelo meio no qual foi inserido, de maneira que siga comportamentos considerados comuns e banais pela sociedade em que vive.
Em segunda análise, o ciclo compulsório pelo considerado “ideal”, expõe consequências negativas à saúde física e mental. Tal fato, ocorre pela gravidade associada ao processo cirúrgico, mesmo que objetivando a estética, uma vez que intercorrências hospitalares podem acontecer. Além de riscos físicos, a insatifação, causada por arrependimentos ou pela compulsão, pode gerar doenças psicológicas como ansiedade e depressão associadas a uma autofrustração por, nem sempre, o objetivo ser alcançado.
Portanto, medidas que visam controlar a influência e banalização de cirurgias estéticas devem ser tomadas com urgência no país. Para isso, o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, deve criar campanhas que disponibilizam informações sobre os reais riscos de procedimentos estéticos cirúrgicos e, também, monitorar e excluir “posts” que realizam a função de motivar essas cirurgias. Assim, garantir a saúde física e, principalmente, mental da sociedade a partir da autoaceitação, por um meio que influencie positivamente seus indivíduos visando o bem-estar individual e coletivo.