A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 02/07/2022
Historicamente, diferentes períodos são marcados por distintas formas de pensar, que são ditadas e, então, seguidas por uma maioria. Na contemporaneidade, com a pressão exercida pela esfera estética, instigando a procura incessante do “corpo perfeito”, as cirurgias plásticas estão sendo banalizadas, e por causa dessa ditadura da “beleza”, as mulheres são as que mais sofrem.
Na série de televisão, Estética, é mostrado como se tornou frívola a busca por um corpo idealizado. Apenas para ilustrar, uma das personagens passou por diversos procedimentos para ter o nariz perfeito, contudo, em determinado momento, ela pede ao namorado para que a machuque, para que assim possa ter uma justificativa para mais um procedimento, como se fosse uma ação qualquer do dia a dia. Ademais, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, (Isaps, sigla em inglês), cerca de 1% dos brasileiros se submete a algum procedimento a cada ano.
Consequentemente, devido a sociedade patriarcal, onde a mulher é subjugada em vários aspectos, no âmbito relativo à beleza física não poderia ser diferente. Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), de todos os tratamentos realizados em 2018, as mulheres representam 87,4%. Portanto, a pressão sofrida por elas é tanta que pode levá-las à morte, como mostra o levantamento feito pela Rede Globo, na qual nove brasileiras morreram nos últimos sete meses, em consequência de processos estéticos que deram errado.
Logo, a banalização das cirúrgias plásticas é real, sendo as mulheres as que mais padecem de tal mal. Isto posto, cabe ao Governo Federal criar projetos de lei, os quais demandem que antes de qualquer procedimento ser feito, os pacientes devam passar por um acompanhamento psicológico, para assim ser analisado o porquê da cirurgia; assim como, criar a consciência no indivíduo de que há inúmeros riscos, sendo algo permanente e que poderá desencadear um desenfreado ciclo em busca de uma visão idealizada. Assim, há a possibilidade de que determinadas pessoas escolham não se submeter mais à tal situação, ao perceber que motivações as haviam levado a querer em primeiro lugar.