A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 07/07/2022

Na música “Mr Potato Head”, composta por Melanie Martinez, a cantora compara a protagonista, desfigurada por procedimentos estéticos, a um boneco que tem o seu rosto formado por peças substituíveis. Em paralelo com a realidade, pode-se relacionar a situação da personagem da canção, ao perigo representado pela banalização das cirurgias plásticas e seus efeitos nos dias de hoje. Nesse contexto, surgem indícios de uma sociedade imediatista e com um psicológico enfraquecido e suscetível à manipulação midiática.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a influência que a mídia exerce sobre o imaginário social no que diz respeito a realização de cirurgias. Na série Black Mirror, um dos episódios retrata o sofrimento de uma mulher que tem sua vida destruída pelas redes sociais que costumavam amá-la. Não distante da ficção, é possível observar o poder persuasivo e avassalador de redes televisivas e dos aplicativos de comunicação, meios que desempenham importante papel na designação dos padrões sociais regentes do consumismo que reina atualmente. Com isso, a mídia se torna responsável pela criação do desejo irrefreável de pertencer à imagem fabricada de perfeição, induzindo alterações cirúrgicas.

Além disso, o imediatismo latente no mundo globalizado, também desempenha função importante na banalização de procedimentos cirúrgicos. Segundo uma reportagem da “TV Câmara”, pelo menos metade dos procedimentos estéticos realizados no Brasil não contam com a presença de um médico especializado. Com base nesse dado, infere-se que a falta de políticas que previnam a existência de clínicas irregulares combinada à vontade de estar moldado ao padrão instável e frenético de beleza são aliadas da trivialização das cirurgias plásticas.

Portanto, a fim de conscientizar o público alvo dos procedimentos estéticos sobre os riscos médicos que estes carregam, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com os Centros de Atenção Pssicosociais (CAPS) a criação de um programa que disponibilize atendimento psicossocial em clínicas estéticas e em hospitais, por meio de consultas obrigatórias antes da realização de cirurgias invasivas. Com isso, se tornaria possível acompanhar pacientes de um ponto de vista humano e consciente, elucidando decisões impulsivas e opostas ao bem estar individual.