A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 04/08/2022

Na série futurista Altered Carbon, da Netflix, é possível a transferência de mente de um corpo para o outro, o que gerou um mercado de corpos artificiais “esteticamente perfeitos.” Analogamente, no Brasil de hoje, devido a uma banalização das cirurgias plásticas, muitas pessoas buscam, através desses procedimentos, corpos mais esteticamente “perfeitos”, o que pode trazer riscos à saúde. Nesse âmbito, vale analisar as pressões machistas sobre a estética feminina e os riscos à saúde dos indivíduos que fazem procedimentos estéticos.

Em primeira análise, vale ressaltar que as mulheres continuam sendo julgadas por suas aparências. Nesse sentido, devido a esse julgamento, existe uma pressão para que busquem meios de se manterem nos padrões de beleza atuais. Cabe ressaltar, sobre esse tema, a frase da filósofa Simone de Beauvoir de que “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” onde a autora quis dizer que as pressões da sociedade patriarcal participam na formamação do Eu feminino. Dessa forma, as pressões da nossa sociedade influênciam nessa busca perigosa por um padrão estético. Dito isso, é importante o combate às pressões sociais sobre a estética feminina, a fim de atenuar a busca por cirurgias plásticas.

Ademais, essa banalização é ativamente danosa à saúde dos indivíduos, visto que os procedimentos podem dar errado. Vale lembrar que, em 2018, o médico conhecido como “Doutor Bumbum”, foi preso após pacientes suas morrerem devido a falhas em procedimentos plasticos, como foi noticiado pelo site G1. Esse tipo de caso só ilustra os perigos ocultos nessa busca pela beleza através desses procedimentos perigosos, mas que estão cada vez mais banalizados.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações efetivas contra essa banalização que afeta a saúde. Destarte, o Ministério da Cidadania e dos Direitos Humanos, órgão de grande competência no que tange a problemas sociais no Brasil, deve, por meio de campanhas em meios de comunicação, valorizar a pluralidade de corpos, com foco principal no público feminino, a fim de combater essas pressões machistas que buscam obrigar a busca por um padrão de beleza. Outrossim, o Ministério da Saúde deve divulgar os riscos à saúde provenientes dos procedimentos estéticos, por meio de informativos disponíveis à população.