A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2022
A música “Que país é este? ”, da banda Legião Urbana, no trecho: “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz uma denúncia acerca de diversos problemas sociais, entre os quais se destaca a banalização das cirurgias plásticas. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática.
Sob esse viés, é lícito citar o jornalista Gilberto Dimenstein, que, em sua obra “Cidadão de Papel”, retrata um cidadão que não se beneficia de seus direitos pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Dessa forma, no Brasil, esse cenário pode ser percebido em relação à banalização das cirurgias plásticas, uma vez que a ineficiência governamental faz com que não haja projetos efetivos de atenção aos indivíduos que precisam desse tipo de procedimento para uma melhora na qualidade de vida. Isso tem como efeito uma sociedade que generaliza e critica esse tipo de prática sem analisar as reais necessidades de cada indivíduo, explicitando, portanto, o panorama retratado pelo jornalista.
Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, os instrumentos de democracia não devem ser transformados em mecanismos de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de promover discussões que aumentem o nível de conhecimento da população acerca das diferentes cirurgias plásticas e para quem são necessárias, opta por não fazê-lo, isso porque é patrocinada por empresas que lucram com a procura por esse tipo de procedimento. Observa-se, desse modo, indivíduos que são manipulados pela falta de criticidade na análise das informações recebidas, evidenciando o cenário descrito pelo filósofo.
Portanto, para diminuir a banalização de cirurgias plásticas, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a campanhas informativas em relação a esse tipo de cirurgia, realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Diante disso, os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será realizado a fim de remediar não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.