A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 03/09/2022
Na Antiguidade Clássica, os gregos praticavam a autoaceitação de seus corpos, visto que acreditavam nas semelhanças de suas estruturas físicas aos deuses. Todavia, no período Renascentista, com o surgimento de ideias de harmonização e utilização da geometria, fenótipos que fugissem ao considerado harmônico eram subjugados. De modo análogo, na atual conjuntura, a busca incessante pelo ideal de beleza persiste e, por consequência, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea é um óbice indubitável.
Em uma primeira análise, o sociólogo Zygmunt Bauman defendia o conceito de “Modernidade Líquida”, isto é, as mudanças que a contemporaneidade acarretou, tais como: fragilização das interações sociais e a autodesvalorização. Nesse contexto, é possível inferir que a teoria proposta por Bauman dialoga com a realidade, uma vez que, com a ascensão das mídias sociais, a busca por um molde estético intangível é uma realidade e, diante da auto-depreciação, as intervenções cirúrgicas são banalizadas e encorajadas. Em 2022, por exemplo, uma influencer, em meio às inseguranças e pressões estéticas, faleceu após realizar uma lipoaspiração desnecessária.
Ademais, vale ressaltar que o filósofo Arthur Schopenhauer afirmava que os indivíduos são movidos por anseios como pressuposto para a felicidade e sensação de pertencimento. Sendo assim, a vulgarização das operações é encorajada mediante a necessidade de aceitação. Para exemplificação, salienta-se que, de acordo com o site O Globo, o número de buscas por “Lipo Lad” aumentou em 300% após influencers digitais divulgarem seus resultados. Logo, nota-se que, devido à procura por aprovação, procedimentos invasivos e perigosos são puerelizados e suas sequelas ignoradas.
Dessa forma, para reverter esse problema, é essencial que a mídia promova, com o auxílio de psicólogos e pessoas influentes, campanhas publicitárias conscientizadoras por meio de aparatos como rádios, televisões e internet que discorram sobre os perigos de cirurgias plásticas indevidas e autoceitação. Tal medida será fundamental para que a banalização de tais procedimentos seja coibida e o amor próprio seja cultivado como na Antiguidade Clássica.