A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 19/09/2022

A Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas apontou que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, buscadas majoritariamente por mulheres. Essa banalização, que representa um grande perigo para a saúde pública e é perpetuada principalmente pela mídia e pelo contexto social da população, precisa ser urgentemente combadita.

A princípio, convém salientar o impacto das redes de comunicação na problemática. É indubitável que as mídias sociais, emissoras de televisão e propagandas audiovisuais, consolidaram uma superestimação da beleza com interesses mercantis. Ao incentivar a compra de cosméticos e demais produtos que visam, supostamente, proporcionar a beleza de modelos exibidas nessas plataformas, as mídias contribuem para essa busca incessante pela beleza. Esse comportamento é um dificultador da questão, afinal, conforme Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica.

Em segunda análise, destaca-se a cultura desenvolvida em meio ao dilema supracitado. Dessa forma, a sociedade exposta a um exacerbado padrão de beleza, encorajada a tentar replicá-lo a qualquer custo, tende a validar essa prática ao compreendê-la como real. Com isso, observa-se a consolidação de um fato social que, de acordo com o sociólogo Émile Durkeim, é quando costumes de pessoas que cercam um indivíduo o moldam. Assim, pode-se concluir que esse contexto não será revertido enquanto a sociedade manter essa tradição capitalista de busca inconsequente por um padrão específico de beleza, que continuará até que haja uma reeducação da população.

Portanto, para superar os desafios relacionados à banalização das cirurgias plásticas, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, fomentar palestras informativas em escolas, parques e praças, realizadas por médicos, a fim de orientar a população acerca dos riscos de intervenções plásticas, enfatizando que são procedimentos de risco que só são recomendados em casos específicos. Com isso, espera-se uma melhora do cenário discutido.