A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 30/09/2022

No livro “Feios”, do escritor Scott Westerfeld, é narrada uma sociedade distópica, marcada pela valorização da beleza física. Nesse sentido, os jovens, ao completa-rem 16 anos, devem passar por uma cirurgia plástica de reconstrução total, com o objetivo de se enquadrarem no padrão estético. De modo semelhante, a sociedade contemporânea caracteriza-se pela banalização de cirurgias plásticas como forma de alcançar ideais físicos: a validação da realização de procedimentos cirúrgicos pa-ra o alcance de tais valores causa sua normalização e resulta na imposição de ris-cos à saúde de muitos indivíduos.

Nesse viés, a imposição de padrões de beleza e de métodos cirúrgicos como meios válidos de alcança-los gera a banalização desses processos. Segundo o soció-logo Pierre Bourdieu, a sociedade impõe, sutilmente, valores que são assimi-lados e reproduzidos pelos indivíduos. Desse modo, o estabelecimento de determinados ideais estéticos, alcançados, muitas vezes, apenas com procedimen-tos cirúrgicos, suscita a assimalação e trivialização das intervenções, como acontecimentos necessários e comuns.

Por conseguinte, a vulgarização das cirurgias coloca em risco a vida de muitas pessoas que se submetem aos procedimentos. Em 2017, a influenciadora digital Camilla Uckers realizou uma cirurgia nos glúteos que resultou em diversas complicações - ela sofreu choque anafilático e infecção generalizada, o que impactou negativamente sua saúde. Dessa maneira, a situação enfrentada pela artista assemelha-se a situação de muitos indivíduos que se submetem a processos de intervenção plástica: a banalização das cirurgias encobre os riscos de sua realização e aumenta as possibilidades de ocorrência de transtornos.

Faz-se necessário, portanto,