A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 04/11/2022
Na música ‘‘Pretty Hurts’’, da cantora Beyoncé, é citado o sofrimento do eu lírico para alcançar o padrão de beleza. Hodiernamente, é possível associar a canção à banalização das cirurgias plásticas, causada não somente pela indústria da beleza, mas também pelas influenciadoras digitais.
Em primeiro lugar, é relevante abordar o quanto o mercado estético influencia na banalização dos procedimentos cirúrgicos. Com a objetivo lucrativo, as empre-sas buscam o consumo exponencial de seus produtos, e para isso, necessitam da constante insatisfação da estética pessoal do consumidor. Dessa forma, tais em-presas estimulam a sociedade a buscar um padrão de beleza dificilmente alcançá-vel, do qual muitos indíviduos se dispõem a correr os riscos cirúrgicos para atingi-lo. Sendo assim, pode-se associar o pensamento da Escola de Frankfurt sobre a ilusão de liberdade contemporânea, já que os indíviduos estão constantemente submetidos ao padrão de beleza imposto pela indústria.
Além disso, é indubitável que a ascensão de influenciadores digitais contribui para a vulgarização dos procedimentos estéticos. A influenciadora Viih Tube com-partilhou nas redes sociais a Lipo Lad que fez, que é uma cirurgia plástica, sem in-formar sobre os riscos à saúde que ela apresenta. Infelizmente, uma personalida-de como Viih, que tem milhões de seguidores, pode influenciar diversas jovens à realização de tal cirurgia, como se fosse um procedimento banal e sem perigo. Desse modo, pode-se relacionar o pensamento do psiquiatra Augusto Cury, no qual a evolução tecnológica não trouxe o melhoramento psíquico, já que a influên-cia das redes sociais gerou o desprezo aos riscos de saúde de cirurgias plásticas.
Portanto, diante dos fatos citados, faz-se necessário que o Ministério da Saú-de, órgão responsável pela saúde pública, atue de forma mais efetiva sob a bana-lização das cirurgias plásticas, por meio da realização de campanhas no meio real e cibernético sobre os riscos delas. Logo, a realidade brasileira se distanciará da letra de ‘‘Pretty Hurts’’, e os indivíduos não colocarão a saúde em risco para alcançar o padrão de beleza.