A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 07/11/2022

Na música “Pretty Hurts”, a cantora Beyoncé impõe que sua aspiração de vida é ser feliz, entretanto, por pressão de sua mãe e da mídia, a beleza externa é prioridade e, para ela, a beleza dói. Com efeito, o Brasil atual enfrenta uma grande onda de cirurgias plásticas, consequências da influência midiática e inoperância estatal, sendo este um revés que precisa ser debatido.

Diante de tal cenário, as mídias como principal influência da sociedade moderna e o surgimento de influenciadores, a banalização da beleza e cirurgias estéticas criou um novo contexto no Brasil atual em que, para ser parte do padrão, é necessário recorrer ao centro-cirúrgico. Sob tal óptica, o filósofo modernista Bauman afirma que “as redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”, tal armadilha é encontrada na música de Beyoncé, em que as mídias impõem uma beleza dolorida, impedindo-a de ser feliz. Dessa forma, não há dúvidas que a influência midiática contribui para a existência da problemática.

Outrossim, a inoperância estatal é um fato que agrava a questão. A falta de comprometimento em lidar com a saúde mental, somado com a precarização de psicólogos e materiais educativos que ajudam a lidar com as pressões estéticas, revela a falta de cumprimento do governo como órgão cumpridor de direitos. Como resultado, uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), revela o índice de cirurgias nas idades de 19 a 35 anos, em 2018, chegou a 34,7%, podendo inferir que pessoas jovens é o alvo da nova onda estética. Sendo assim, torna-se fundamental incluir esse assunto nos contextos escolares.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, através de políticas públicas, deve implementar no sistema educacional, com a ajuda de psicológos e especialistas, aulas e oficinas que tenham por objetivo distorcer o padrão de beleza da sociedade e estimular a autoestima. Tais ações devem alterar a normalidade de cirurgias plásticas e, consequentemente, a ilusão de padrão e beleza universal.