A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/11/2022
A influenciadora digital Maíra Medeiros postou um vídeo, em seu canal no You-tube, explicando as complicações e arrependimentos que teve após realizar uma bichectomia. De forma paralela, são cada vez mais comuns, no Brasil, relatos nega-tivos ligados à realização de cirurgias plásticas, o que está associado à dissemina-ção de padrões irreais de beleza nas redes sociais e falta de reflexão crítica antes da realização dos procedimentos. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e ela-borar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é necessário apontar o papel das mídias sociais na propagação de ideais falsos de beleza. Para tanto, o documentário “O Dilema das Redes” aborda essa questão mostrando a filha caçula de uma família que se sente incomodada com sua aparência, após observar outras mulheres em suas redes sociais. Nesse contexto, os usuários se sentem frustrados com sua autoimagem, distante dos pa-drões estéticos observados na internet, onde os filtros e edições ganham cada vez mais espaço. Assim, é evidente a origem da banalização dos cirurgias plásticas, usa-das indiscriminadamente para atingir um padrão inalcançável de beleza.
Ademais, a falta de senso crítico sobre esses procedimentos corroboram para sua perpetuação entre a população brasileira. Para reforçar a ideia, o filósofo Immanuel Kant dissertava acerca do conceito de “menoridade”, que se refere à tomada de decisões pessoais pelo intelecto de outrem, sem prévia reflexão. Sob essa perspectiva, a temática reforça a teoria do autor, na medida em que indivídu-os, guiados pelo impulso de assemelhar-se aos ideais estéticos das redes sociais, realizam procedimentos arriscados e sem as devidas preponderações. Logo, é ne-cessário que medidas sejam tomadas para enfrentar essa triste mazela.
Infere-se, pois, que o governo federal deve adotar iniciativas para solucionar es-sa questão. Para isso, ele deve agir por meio do Ministério da Saúde e reformular as políticas pré-operatórias, com consultas psicológicas mais profundas para en-tender a real motivação da atitude do paciente e trabalhar sua autoaceitação. Além disso, deve veicular propagandas publicitárias nas mídias sociais, que promovam reflexão acerca dos padrões de beleza ali expostos. Assim, será possível enfrentar a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea.