A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 11/11/2022

Yuval Harari, na obra literária " 21 Lições para o século 21", destaca como o excesso de informações, tem afetado a clareza da humanidade e despertado necessidades ilusórias. Diante disso, observa-se que a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea está relacionada, majoritariamente, às pressões da moda e ao consumismo, o que tem limitado a vida de muitos indivíduos à realização de desejos fúteis.

Incialmente, é preciso destacar que a moda contemporânea exerce grande influência na banalização dos procedimentos estéticos. Isso pois, como uma característica da modernidade líquida, a moda e os padrões de beleza estão em constante mudança, como defende Zygmunt Bauman - sociólogo polonês. Dessa forma, novos procedimentos surgem a todo momento, e nem sempre são oferecidos por profissionais qualificados. Sob esse viés, o desespero por acompanhar os padrões e os altos custos envolvidos, faz com que os indivíduos busquem, irresponsavelmente, por cirurgiões clandestinos. Assim, além de desvalorizar a medicina, as pressões da moda podem oferecer riscos à vida daqueles que vivem em função dessa ilusão.

Ademais, movidos pelo consumismo, muitos buscam as cirurgias plástica de forma fútil e irresponsável. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apontam que o Brasil é o país onde mais se realizam procedimentos estéticos no mundo. Isso demonstra o alto grau de insatisfação do brasileiro com o próprio corpo, visto que, nas redes sociais, a alta exposição de corpos perfeitos e pessoas felizes estimula o consumo desses serviços. Desse modo, por conferir um resultado mais rápido do que, por exemplo, dieta e atividade física, a intervenção é buscada sem orientação médica e ignora os inerentes riscos de mutilações e mortes. Diante disso, é indispensável o protagonismo do Estado como agente de mudanças dessa lamentável realidade.

Portanto, urge que a sociedade contemporânea reveja a importância dada às cirurgias plásticas. Para isso, é dever do Governo Federal criar campanhas de conscientização sobre os riscos das intervenções cirúrgicas. Isso pode ser realizado por meio da divulgação de propagandas nas redes sociais e televisão - que mostrem os prejuízos das operações realizadas sem orientação médica ou por pessoas desqualificadas profissionalmente, a fim de poder auxiliar as pessoas a refletirem sobre a real necessidade dos procedimentos estéticos. Assim, mesmo diante do excesso de informações, a população poderá ter mais clareza para tomar suas decisões.