A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 29/11/2022

Em conformidade à Primeira Lei de Newton, a lei da inércia, um corpo tende a permanecer em repouso quando não possui uma força atuando sobre ele. De maneira análoga, tem-se o perturbador índice de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, que permanece inerte, já que muitas pessoas desconhecem os perigos. Ademais, a persistência dessa mazela deve-se à banalização da irracionalidade e ao descaso governamental.

Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, a banalidade do mal ocorre quando o indivíduo negligencia um determinado problema social. Paralelo a isso, é perceptível o desprezo da sociedade para com a exacerbada prática de cirurgias plásticas para fins estéticos, visto que a irracionalidade evidencia a alienação social. Sendo assim, a falta de discussões a cerca das consequências que as cirurgias desnecessárias podem causar gera uma sociedade com escasso senso crítico.

Além disso, a Constituição Federal de 1988 assegura o direito de acesso á saúde a todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, muitas pessoas ainda não gozam dessa constituinte, tendo em vista o grande descaso governamental a respeito da desvalorização das implicações causadas pelas cirurgias plásticas na sociedade atual. Portanto, observa-se a falta de campanhas governamentais eficazes em prol da conscientização dos possíveis impactos advindos de procedimentos cirúrgicos. Consequentemente, tem-se a formação de uma sociedade desinformada e com seus direitos não garantidos.

Logo, cabe ao governo instituir um comitê gestor—formado por um representante de cada área—, por exemplo, Ministério da Saúde, diretores da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e mídias (televisivas, cibernéticas e impressas). Essa ação se dará por meio de um plano de combate, em que haverá maior direcionamento de verbas e campanhas informativas sobre a evidência da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Isso será feito a fim de remediar a irracionalidade e, também, o descaso governamental. Desse modo, ausentando a inércia da realidade brasileira.