A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 21/03/2023

Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura a saúde como direito social e imputa ao Estado o dever de provê-la. Entretanto, a preocupação exacerbada com a estética e a ineficiente orientação popular acerca do assunto colocam a banalização das cirurgias plásticas como um fator limitante do direito constitucional supracitado. Diante disso, para mitigar a problemática, cabe ao Estado a conscientização da população sobre o assunto e a inibição de práticas onerosas à saúde pública.

Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é essencial para a homeostase (equilíbrio) sanitária do páis. Nesse sentido, tal assertiva é ratificada pelo texto da Lei Orgânica da Saúde, sancionada em 1990, a qual elenca como função estatal a promoção de ações educativas com vistas a elucidar pormenores envolvidos em práticas que prejudiquem a saúde do brasileiro. Desse modo, evidencia-se a importância de orientar os cidadãos sobre os riscos que envolvem os procedimentos cirúrgicos desnecessários, com o intuito de reduzir o número de mortes e males relacionados à causa.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar dos políticos a solução para todas as mazelas. Em contrapartida, conforme o autor, resultados melhores surgem quando o povo insere-se como parte dos projetos de mudança. Por conseguinte, fica claro que a conscientização popular sobre saúde pública deve ser iniciada precocemente, no seio familiar e nas escolas.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue diuturnamente na viabilização de projetos educacionais relacionados à gestão de saúde no Brasil. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, de modo a garantir a coerência dos trabalhos. Ademais, mais especificamente, é impreterível que as campanhas desincentivem quaisquer práticas estéticas que tragam risco à vida. Assim, gradativamente o país colherá os frutos das ações empreendidas.