A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 21/04/2023

“Olha que coisa mais linda e mais cheia de graça..”. Esse trecho da música Garota de Ipanema, de Tom Jobim, é um recorte da valorização do padrão de beleza na sociedade. Nesse aspecto, a busca por esse modelo tem proporcionado a indiscriminação no uso de cirurgias plásticas. O que antes era utilizado para corrigir defeitos pontuais agora é o mais precioso e caro instrumento a favor da ditadura da beleza. Assim, é relevante compreender os elementos dessa banalização e, ao mesmo tempo, debater a respeito das possíveis consequências.

A priori, é preciso destacar que desde a Grécia Antiga os corpos eram cultuados. Todavia, sob o modelo capitalista, a banalização das cirurgias plásticas angariou espaço, porquanto se barateou produtos e disseminou a perspectiva de uma ditadura da beleza que se impôs mais solidamente. A mídia atua como carro chefe dessa perspectiva quando propaga a noção de que a beleza é alcançável a todos os podem pagar por ela. Nesse cenário, as pessoas são constantemente bombardeadas, através de séries, telenovelas e filmes, pela atribuição de que toda história de sucesso é a história do belo. Tome-se como exemplo a fábula emancipatória do “Patinho Feio” como um retrato audaz dessa falaciosa ideia.

Ademais, deve-se registrar que o ato da mídia de fomentar a banalização das cirurgias plásticas não necessariamente é um problema, isso não é proibido legalmente, o problema ocorre quando as pessoas, moralmente, internalizam a concepção da ditadura da beleza. Isso, de fato, se caracteriza como algo perigoso e prejudicial, uma vez que, de modo figurado, a sociedade se coloca em um pedestal no qual não deveria existir, que é o paradigmático pedestal do padrão de beleza grego.Esse paradigma banaliza os riscos das intervenções clínicas, desdobra-se no aumento dos casos de depressão e discrimina parte da sociedade no momento em que exclui os desiguais.O trecho da música Sampa, de Caetano Veloso, que aduz: ’narciso acha feio o que não é espelho", lança luz a problemática da exclusão.

Fica claro, portanto, a necessidade de se discutir sobre a banalização das cirurgias plásticas pela sociedade. Assim, é importante que o Estado promova palestras, nas escolas e nas universidades, de orientação no que concerne aos riscos desse tipo de procedimento ao ser humano.