A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/05/2023
Desde o Iluminismo, caracterizado por preceitos humanitários durante o século XVIII, configura-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se preocupa com o outro. Nesse sentido, fatores históricos e sociais fazem-se presentes, seja por causa de um legado, seja por causa de uma prática mercantil, o que representam atos retrógrados a serem combatidos.
Nesse viés, nota-se a perpetuidade do corpo perfeito como impulsionadora da adesão de cirurgias estéticas para a aceitação social. Outrossim, durante a Antiguidade Clássica, em Esparta, as mulheres mais simétricas e belas eram escolhidas por seus parceiros e os homens eram condicionados a terem um porte físico para gerarem descendentes fortes e guerreiros. Nesse cenário, a intensa ditadura estética, ainda presente, faz com que as pessoas tentem buscar a perfeição por meio, principalmente, de cirurgias por ser um meio mais fácil e prático tornando-a normalizada sem o lado nocivo, como os riscos de reações e até o óbito. É, então, danoso que esse pensamento ultrapassado e hostil perenize nos dias atuais e crie desejos desnecessários.
Ademais, a intenção capitalista, em busca de lucro, corrobora para a banalização de cirurgias corporais. Assim, de acordo com a Indústria Cultural, os interesses das classes dominantes tendem a prevalecer, ou seja, há uma massificação e idealização do “corpo perfeito”, alcançado através de procedimentos cirúrgicos, nas mídias sociais para construir uma imagem bilateral sem difundir os malefícios. Nesse seguimento, muitos indivíduos ficam deslumbrados para atingir esse ideal o que geram, lamentavelmente, insatisfações recorrentes, insegurança e agravamento de problemas psíquicos, tais como ansiedade e depressão.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir uma esfera social saudável. Faz-se necessário que o governo federal, órgão máximo do executivo, dê primazia ao óbice por meio da exigência, em âmbito midiático, de vinculações dos riscos e prejuízos que as intervenções estéticas podem causar para conscientizar a população, além de estimular a aceitação e valorização de todos os biotipos corporais e, assim, consolidar um tecido social empático, como o aforismo Iluminista.