A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 15/05/2023

Os padrões de beleza mudam de acordo com a época, as ideologias creditadas e os recursos disponíveis. Nesse sentido, se no renascimento as mulheres possuiam silhuetas mais largas, hoje as jovens preferem quadris menores e delgados. Além disso, a influência do patriarcalismo estrutural e o consumo inconsciente contribuem para a banalização das cirurgias plásticas, a fim de atingir o padrão estabelecido no século XXI.

Nota-se que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), as mulheres são as que mais se submetem aos procedimentos estéticos, como a mamoplastia e a lipoaspiração, quer dizer, aumento das mamas e diminuição da gordura abdominal, respectivamente. Assim, percebe-se a influência do patriarcalismo histórico, o qual obriga as mulheres a tentarem se encaixar em algum molde pré-estabelecido por homens. Desse modo, as mulheres serão consumidoras majoritárias nesse tipo de operação médica.

Somado a isso, tem-se uma sociedade que baseia o consumo em valores líquidos que podem ser descartados rapidamente e substituído por outros. Ou seja, para o filósofo polonês Zygmund Bauman, a felicidade passou a ser atrelada aos objetos inanimados e ao consumo inconsciente, já que os laços afetivos não são mais prioridades para a maioria. Logo, a mediocrização de procedimentos médicos, direcionados pela busca irracional do corpo perfeito, tende naturalmente a direcionar os civis para a banalização também da vida.

Diante do exposto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde crie propagandas de alerta, verbais e não verbais, para circular por meios de comunicação em massa, a fim de despertar as mulheres, antes de tudo, para os riscos das cirurgias plásticas, com o objetivo de mitigar o número de operações desnecessárias. Em adição a isso, o Ministério da Educação deve criar conteúdos didáticos de conscientização para disseminá-los nas escolas e lembrar ao público, em especial as mulheres, da importância da valorização do corpo do jeito que ele é para que elas não tentem se adequar aos padrões tóxicos do machismo. Assim, será possível a construção de um pensamento coletivo consciente dos riscos de se vulgarizar procedimentos tão invasivos e perigosos.