A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 03/10/2025
O Marco Civil da Internet estabeleceu princípios para o uso da rede, asseguran-do a liberdade de expressão e a privacidade. Nesse cenário, a internet trouxe diver-sos benefícios, como a economia disruptiva, que possibilitou novas formas de gera-ção de renda, e o empoderamento dos indivíduos nas redes. Contudo, também acarretou em problemas, entre eles a precarização das relações trabalhistas, já que muitos profissionais que atuam em empresas disruptivas não possuem direitos trabalhistas assegurados, e o poder desmedido do anonimato, que leva usuários a adotar comportamentos agressivos, ações que não tomariam presencialmente.
Primeiramente, é necessário ressaltar que o excesso de poder proporcionado pelo anonimato pode levar o usuário a ter comportamentos agressivos. Nesse con-texto, os jovens são um dos grupos mais afetados, visto que a geração atual tem acesso quase ilimitado à internet dando-lhes um enorme poder para o qual, muitas vezes, não estão preparados. Como consequência, essa poderosa ferramenta pode ser utilizada de forma equivocada e até hostil. Segundo IBGE, mais de 13% dos jo-vens brasileiros já sofreram cyberbullying, o que corresponde aproximadamente a 1 em cada 10. Assim, percebe-se que a internet concede grande poder aos indivídu-os que nem sempre têm maturidade para lidar com ela de modo responsável.
Ademais, é imprescindível destacar a escassez de normas trabalhistas nas em-presas de economia disruptiva, o que deixa os trabalhadores vulneráveis. De acor-do com o IBGE, em 2022, 1,5 milhão de pessoas trabalham por meio de aplicativos de serviços, sendo que 70,1% desses estavam na informalidade. Nesse sentido, muitos desses trabalhadores não possu-em garantias legais, e os usuários também não têm deveres formais estabelecidos. Essa situação evidencia a falta de políticas efetivas para regular as economias disruptivas e proteger seus agentes.
Portanto, faz-se necessário a inserção de políticas digitais que conciliam a liber-dade proporcionada pela internet à proteção dos cidadãos. Logo, cabe ao Congres-so Nacional, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança, elaborar leis que ampliem a regulamentação das plataformas digitais combatendo a práticas nocivas decorrentes do anonimato. Tais medidas contribuem para que o empoderamento fosse exercido de forma justa e saudável, beneficiando a sociedade como um todo.