A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 03/10/2025

Na contemporaneidade, a internet firmou-se como um dos principais instrumentos de empoderamento individual, ao ampliar o acesso à informação, a liberdade de expressão e a articulação social. Nesse sentido, Manuel Castells, em Sociedade em Rede, aponta que as tecnologias digitais descentralizam o conhecimento e fortalecem vozes diversas. Entretanto, esse potencial é limitado por entraves como a disseminação de discursos de ódio e a exclusão digital.

Em primeiro lugar, o ambiente digital, ao oferecer um espaço aberto para manifestação, também potencializa a difusão de discursos de ódio, que ameaçam a liberdade e a segurança de grupos vulneráveis. A filósofa Hannah Arendt, ao discutir a banalidade do mal, já advertia sobre o risco de normalização da violência em sociedades que toleram práticas discriminatórias. No contexto da internet, essa banalização manifesta-se em ataques virtuais, cyberbullying e perseguições em massa, o que gera retração no exercício pleno da cidadania digital. Assim, apesar de a internet ser um instrumento de empoderamento, a ausência de políticas eficazes de regulação e de educação digital transforma o espaço virtual em um ambiente hostil para muitos indivíduos.

Outro obstáculo refere-se à exclusão digital. De acordo com a ONU, cerca de 2,6 bilhões de pessoas ainda não possuem acesso à internet no mundo, o que limita oportunidades educacionais e profissionais. Nesse sentido, a teoria da violência simbólica de Pierre Bourdieu evidencia como a ausência de recursos tecnológicos perpetua desigualdades e marginalizações. Assim, enquanto alguns são empoderados pela conectividade, outros permanecem excluídos do processo.

Para mitigar as problemáticas do discurso de ódio e da exclusão digital no Brasil, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e da Secretaria de Inclusão Digital, deve criar um Programa Nacional de Letramento Digital e Cidadania Online, que promova cursos em escolas públicas e centros comunitários, ofereça subsídios a famílias de baixa renda para ampliar o acesso à internet e realize palestras educativas sobre o tema. Com isso, busca-se incluir cerca de 22 milhões de cidadãos ainda desconectados e consolidar um ambiente virtual mais seguro, democrático e plural.