A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 01/10/2025

A ascensão da internet no século XXI redefiniu as dinâmicas sociais, políticas e econômicas, consolidando-se como um potente vetor de empoderamento individual. Sua influência transforma o grau de agência do cidadão, embora a plena efetivação desse potencial dependa da superação de obstáculos estruturais, como a desigualdade de acesso e a proliferação de informações distorcidas.

A força empoderadora da rede reside em sua capacidade de democratizar o acesso ao conhecimento e horizontalizar a comunicação. Ao disponibilizar um acervo informacional vasto, a web quebra as barreiras geográficas e socioeconômicas do ensino tradicional. A possibilidade de realizar cursos abertos (MOOCs) ou de aprender habilidades por tutoriais combate a “cultura do silêncio” (Paulo Freire), permitindo que indivíduos de contextos periféricos se qualifiquem e busquem ascensão social.

Além disso, a internet oferece uma plataforma inédita para a autoexpressão e mobilização cívica. O cidadão, antes dependente da grande mídia, agora utiliza redes sociais para fiscalizar o poder público e organizar movimentos. Esse empoderamento comunicacional é vital para a vitalidade democrática, pois permite a formação de uma esfera pública expandida onde minorias ganham visibilidade e pressionam por políticas mais justas.

No entanto, o problema da exclusão digital persiste, concentrando as vantagens do empoderamento em quem já possui privilégios de infraestrutura. Some-se a isso o desafio das fake news e das câmaras de eco, que, ao expor o indivíduo apenas a vieses confirmados, prejudicam o senso crítico. Sem a devida literacia midiática, a tecnologia, em vez de emancipar, pode levar à alienação.

Portanto, para que a internet cumpra seu potencial, o Ministério das Comunicações deve garantir a universalização da Banda Larga em áreas rurais e periféricas. Paralelamente, o Ministério da Educação (MEC) deve incluir a Literacia Digital no currículo escolar, desenvolvendo o senso crítico para que o acesso à informação se converta em verdadeiro conhecimento e, consequentemente, em empoderamento responsável.