A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 30/09/2025
No século XXI, a internet consolidou-se como um dos pilares da vida contemporânea, oferecendo oportunidades de comunicação, educação e mobilização social. Nesse cenário, o sociólogo Manuel Castells, em “A Sociedade em Rede”, destaca como as tecnologias da informação transformam as dinâmicas de poder e possibilitam maior protagonismo individual. Contudo, embora a rede mundial de computadores possua alto potencial de empoderamento, duas problemáticas limitam esse efeito: a exclusão digital, que impede o acesso igualitário aos recursos virtuais, e a desinformação, que compromete o uso consciente da internet.
Em primeiro lugar, a desigualdade no acesso à internet representa um dos maiores obstáculos à sua função emancipadora. Segundo dados do IBGE, milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso adequado à rede, especialmente em áreas rurais e periféricas. Essa exclusão digital impede que essas pessoas usufruam de benefícios como ensino a distância, capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho digital. Assim, a internet, que poderia ser ferramenta de inclusão, acaba por acentuar desigualdades sociais históricas.
Adicionalmente, entre os que têm acesso à internet, o ambiente virtual pode se tornar um espaço de manipulação e alienação. A proliferação de fake news, discursos de ódio e algoritmos que reforçam bolhas ideológicas prejudica o senso crítico e dificulta o empoderamento real dos usuários. Ao invés de promover liberdade e autonomia, o uso inadequado da internet pode gerar desinformação, intolerância e desengajamento cívico, como se observa em períodos eleitorais marcados por manipulação digital.
Diante desse contexto, é imprescindível que o Estado atue para garantir o pleno acesso e o uso responsável da internet. O Ministério das Comunicações deve ampliar o investimento em infraestrutura tecnológica nas regiões mais vulneráveis, levando conectividade gratuita a escolas e centros comunitários. Simultaneamente, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas públicas um programa de educação digital e midiática, que desenvolva o pensamento crítico e o uso ético das redes.