A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 03/10/2025

Segundo o sociólogo Manuel Castells, a conectividade digital constitui uma das forças estruturantes do século XXI, capaz de transformar a maneira como indivíduos acessam informação, interagem e participam da vida social. Ao democratizar conhecimento, ampliar canais de expressão e viabilizar formas de organização social, a internet revela-se um poderoso instrumento de empoderamento individual e coletivo, embora seu potencial ainda seja limitado por desigualdades socioeconômicas e insuficiente formação crítica dos usuários.

Movimentos como #MeToo e Black Lives Matter evidenciam que a rede permite que indivíduos historicamente marginalizados conquistem visibilidade, influenciem debates globais e impactem políticas públicas. No Brasil, 88% da população acima de 10 anos acessa a internet (IBGE, 2023), evidenciando não apenas sua ampla penetração, mas também seu papel central na promoção do engajamento cívico, da mobilização social e do fortalecimento da democracia, tornando o acesso à rede elemento estratégico para a construção de uma sociedade mais participativa e plural.

Entretanto, a exclusão digital restringe o empoderamento pleno. Apenas 22% dos brasileiros possuem conectividade satisfatória (CGI.br), enquanto a ausência de letramento digital favorece propagação de desinformação, limita exercício da cidadania e compromete desenvolvimento de pensamento crítico. Nesse contexto, sem acesso equitativo e educação digital, a internet corre risco de reproduzir desigualdades em vez de superá-las, perpetuando barreiras sociais e culturais que impedem a plena participação de todos os cidadãos.

Diante dessa realidade, o Ministério das Comunicações, em parceria com empresas privadas, deve expandir a infraestrutura de banda larga em regiões periféricas e rurais, por meio de subsídios e incentivos fiscais, garantindo acesso de qualidade. Paralelamente, o Ministério da Educação deve implementar programas contínuos de letramento digital nas escolas públicas, combinando oficinas práticas recursos tecnológicos e conteúdos sobre ética, cidadania digital e uso crítico da informação. Essas medidas visam garantir que todos os cidadãos usufruam plenamente do potencial transformador da internet e possam exercer sua cidadania efetivamente.