A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 04/10/2025

A obra “Snowden: herói ou traidor”, do cineasta Oliver Stone, retrata um dos principais impasses com o avanço da internet, que é a privacidade e as implicações éticas da tecnologia na sociedade contemporânea. No filme, Snowden expõe como os americanos eram vigiados pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos. Entretanto, hodiernamente, a exposição da vida alheia e a violação de direitos individuais têm sido práticas constantes também dos próprios internautas, que se sentem empoderados e livres para postarem o que desejam. Dessa forma, percebe-se uma ineficiência do governo para controlar o uso irresponsável das redes sociais e uma falha na educação, nas escolas e na família, sobre os limites do que pode ser publicado e seus efeitos.

Em primeira análise, os ambientes digitais se configuram hoje como um guia de tomada de decisões, como aponta a pesquisa nacional Redes Sociais, Notícias Falsas e Privacidade na Internet. Segundo o estudo, 83% dos brasileiros acreditam que as redes têm muita influência sobre a opinião das pessoas. Um exemplo disso é que o número de influenciadores cresceu 67% entre março de 2024 e março de 2025, indo de 1,2 milhão para 2 milhões, conforme dados da plataforma de marketing Influency.me. Paralelamente, muitos abusos vêm sendo registrados, inclusive de exploração de menores na “web”, como foi o caso protagonizado pelo paraibano Hytalo Santos, preso após denúncias. Assim, urge que o governo seja mais rígido para filtrar e punir infrações como essas.

Diante desse cenário, constatam-se despreparo e falta de educação digital, sendo um perigo. Como afirmou Platão, “O conhecimento torna-se mau se o objetivo não for virtuoso”. Ou seja, a internet é benéfica ao fortalecer causas positivas ou manifestações do cidadão, desde que respeite a integridade do outro.

Depreende-se, portanto, que medidas interventivas em relação a esses desafios são indispensáveis. O governo federal e os órgãos legisladores devem criar leis mais rigorosas para coibir os abusos. As escolas e as famílias, por sua vez, possuem o papel de orientar os jovens sobre a ética nas relações virtuais, a fim de garantir comportamentos adequados e com empatia. Caso essas ações forem executadas, o empoderamento suscitado pela internet será promissor no futuro.