A capacidade da internet de empoderar o indivíduo

Enviada em 02/10/2025

O filósofo Manuel Castells, em sua obra A Sociedade em Rede, argumenta que a internet transformou a lógica de poder do século XXI ao permitir que o indivíduo se conecte, informe e organize coletivamente. Nesse contexto, a rede mundial de computadores tornou-se um espaço de ampliação de vozes e democratização do acesso à informação, possibilitando ao sujeito comum participar de debates sociais antes restritos a elites intelectuais e políticas. Entretanto, apesar do seu potencial emancipatório, ainda persistem obstáculos que dificultam a plena realização desse empoderamento: a exclusão digital e a manipulação informacional.

Primeiramente, a exclusão digital limita o acesso equitativo às oportunidades que a internet oferece. Segundo dados do IBGE (2023), cerca de 20 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à internet, seja por falta de infraestrutura, seja pela incapacidade financeira de adquirir equipamentos. Esse cenário reforça desigualdades sociais já existentes e cria uma barreira para que parcelas da população possam se beneficiar da informação, da educação a distância e da participação cidadã viabilizada pelas plataformas digitais.

Além disso, mesmo para aqueles que têm acesso, o fenômeno da manipulação informacional enfraquece o caráter libertador da rede. Reportagem do jornal El País Brasil (2022) mostrou como a disseminação de fake news em larga escala influencia processos democráticos, induzindo indivíduos a tomar decisões baseadas em dados falsos. Assim, o que poderia ser um ambiente de autonomia crítica e fortalecimento da cidadania, muitas vezes se converte em um espaço de alienação e controle.

Portanto, o governo federal, por meio do Ministério das Comunicações, deve ampliar programas de inclusão digital com a instalação de infraestrutura de internet, garantindo acesso gratuito ou de baixo custo, reduzindo as desigualdades de conectividade em populações marginalizadas. Assim, o Congresso Nacional, em parceria com empresas de tecnologia, deve implementar campanhas permanentes de educação em escolas públicas, que frisem em capacitar jovens e adultos a identificar notícias falsas.